sexta-feira, 8 de maio de 2009

Blessingway - O Caminho da Benção

A tradução literal de Blessing Way é: Caminho da Benção, uma cerimônia praticada desde os primórdios e realizada até hoje entre os índios navajos americanos, honrando a futura mãe, um mês antes da data prevista para o parto, geralmente na lua cheia. Essa cerimônia é um dos ritos de passagem mais bonitos que já estudei, visa preparar espiritualmente e psicológicamente a mulher para deixar sua fase donzela e entrar em sua jornada como mãe. Nas antigas culturas matrifocais, o ato de dar à luz era considerado sagrado, uma dádiva da Grande Mãe, assistido e auxiliado somente mulheres. As parteiras eram escolhidas entre as mulheres sábias da tribo elas mesmas deviam ser mães, para melhor compreensão e vivência dos mistérios da maternidade. A presença dos homens não era permitida, sendo considerada desnecessária e até mesmo ofensiva ou profanadora. As sacerdotisas da deusa Juno cuidavam de todos os aspectos da maternidade, desde a concepção até o aleitamento. Seus vários aspectos eram invocados pelas mulheres, dependendo da necessidade Juno Populania regia a perpetuação da raça humana, Juno Sospita protegia as mulheres grávidas, Juno Lucina presidia nascimentos, Juno Ossipaga fortalecia o esqueleto do recém-nascido, Juno Rumina providenciava o leite materno. Para cada aspecto havia rituais específicos desempenhados por sacerdotisas treinadas nas artes curativas e nas práticas mágicas. Essas sacerdotisas, chamadas obstetríces, ficariam profundamente chocadas se conhecessem as práticas obstétricas atuais, como a imobilização forçada da parturiente, a indução do parto, o uso de drogas tirando a consciência da mãe e impedindo sua participação ativa, as intervenções cirúrgicas planejadas antecipadamente, o tratamento rude dispensado à mãe e ao recém-nascido.

Hoje os obstetras cuidam somente da parte fisica da gravidez e a parte psiquica dessa mulher como fica? Cada vez mais mulheres enfrentam a depressão pós-parto, o motivo é mais simples do que todos pensam, faltou à essa mulher o preparo psico-espiritual para atravessar essa transição, quando a criança nasce essa mulher não estava preparada nem para ser mãe e nem para a separação que ocorre. Durante o rito do Blessigway, a mãe é honrada como mulher que recebeu a dádiva da fertilidade e escolheu gerar um filho, ela recebe presentes mágicos como velas para seu altar e o altar de nascimento, cristais com propriedades que vão ajuda-la no fim da gestação e o começo dessa nova etapa, ervas para banho, óleo prepara para untar velas, óleo para massagear sua barriga e aumentar a troca afetiva com o bebê, são feitas algumas práticas ritualisticas, como a lavagem dos pés da futura mãe, pela madrinha do bebê, que geralmente já é mãe também, essa lavagem feita com pétalas de rosa branca e água mineral, é para purificar o caminho da mãe e ajuda-la a percorrer o restante da gestação, enquanto a lavagem é feita, a madrinha entoa uma prece a Deusa pedindo que Ela dê sabedoria e ajude a nova mãe. Outra prática muito bonita é a confecção da máscara do ventre, feita com gesso, ela moldará e preservará o momento em que a mãe e o bebê erão um só, depois de seca a mãe pode pintar simbolos de fertilidade, uma recordação inesquecivel. Estou colocando aqui o Roteiro do Blessingway da minha amiga e irmã de circulo Priscila, o qual tive a honra de organizar, é durante um rito desses que a gente percebe como a irmandade feminina pode ser forte, que os laços de ancestralidade nos ligam de uma forma inexplicavel, é só darmos o primeiro passo que tudo começa a acontecer.

Roteiro do Blessingway da Priscila Gaia

-Lançamento do Circulo.(Cynthia)

-Invocação de gratidão à Deusa, bençãos para a mãe e bebê.(Bárbara)

-Acendimento das velas.(Pri Duarte)

-Fumegação na mãe e em todas as mulheres, durante a fumegação cantaremos: Eu sou a Deusa dos dez mil nomes e infinitas possibilidades./ Todos os poderes dela são meus, todos os poderes dela estão em mim.

-Cada mulher presenteará a mãe explicando para ela o significado do seu presente.

-Depois compartilharemos histórias de maternidade que passem imagem positiva da maternidade para a gestante. Leitura de costumes ligados a gestação.

-Lavagem dos pés da gestante em bacia com agua filtrada, petalas de rosa branca e essencia de rosa branca(Bárbara), enquanto isso outra mulher (Leticia), fará movimentos espirais com incenso de rosa branca na gestante. Cantamos: Vida que flui e que corre, se transforma./Todo amor que vem da Grande Mãe, vive através de mim e através de você.

-Confecção da máscara do ventre, passa-se vaselina e cobre-se a barriga da grávida com gaze e depois pincela com gesso (Marcela), a máscara preservará o momento em que mãe e bebê eram um só.

-Enquanto o gesso endurece faremos um circulo com a mãe no meio, com imposição de mãos, abençoaremos o parto, o restante da gestação, a vida e a saude do bebê. Depois cantamos: Jovem, Mãe e Anciã esteja aqui, escute essa canção. Ouça o meu chamado através dos mundos.

-Depois da retirada do gesso, a madrinha unta a barriga com o óleo preparado para a consagração do ventre fertil da grávida, pedindo saude para ambos e um bom parto.

-Para reforçar os laços de sangue que ligam todas as mulheres, será passado o novelo de lã vermelha, amarrando todas as participantes na cintura da mãe, amarrando no pulso esquerdo, e levando até a cintura e então cortados. Enquanto uma de nós (Rhaid) amarra os fios, cantaremos: Somos um circulo dentro de um circulo, sem um começo e sem um fim. Estes fios serão somente retirados do pulso após o nascimento da criança e queimados na cerimônia de boas vindas à mãe.

-Finaliza-se com um abraço coletivo, ao som da canção: Cantico para a Deusa Triplice:

E a Donzela é o botão que floresce 2x Sua juventude e a coragem de vencer, toque a terra e sinta a semente crescer. E a Deusa Mãe, é a promessa da vida 2x, quando a lua é cheia, sua luz podemos ver. Nos mostrando os caminhos de poder. E a Velha, é a Mulher que tece 2x, seu conselho doce é a fonte do saber. Em suas mãos estão as teias do viver. Neste momento agradecemos e já é feito o destraçamento do circulo.

-Após esse momento passaremos uma folha em que cada uma escreverá seus votos de felicidade, assinando e datando, para que a mãe possa guardar juntamente com a máscara do ventre como recordação desse momento mágico. A máscara depois será pintada e decorada pela mãe em sua casa. Momento de confraternização. Cada uma tirará uma carta do Oráculo das Deusas e receberá uma mensagem especial. Entrega da lembrancinha as mulheres que participaram da Cerimônia. Entrega da oferenda de agradecimento da futura mãe às Deusas honradas no Blessingway.

Recomendações gerais:

-Peço pontualidade à todas, o horário limite de chegada é as 16:00 para que possamos arrumar o altar e os itens para começarmos o ritual pontualmente as 16:15.

- Todas as meninas devem trazer além dos itens pedidos 1 foto de sua infancia e 1 de seus filhos (se tiver), para serem colocados no altar de nascimento.

Deusas honradas no Blessingway:

Artemis: Protetora dos recém nascidos e parturientes.

Hécate: Condutora das almas e guardiã dos caminhos.

Eileithya: Facilita a abertura da pélvis e a produção de leite.

Ix Chel: Assisti o trabalho de parto e abençoa as crianças.

Ishtar: Deusa que abre a passagem do ventre.

Tauret: Deusa egipcia que transporta os espiritos dos bebês para dentro de suas mães e cuida deles.

Uks-Akka: A Anciã que conduz o recém nascido da escuridão para a luz do dia.

Umaj: A Guardiã da placenta. / Fonte: O legado da Deusa- Mirella Faur.

* O ritual de Blessingway foi adaptado de duas leituras maravilhosas, os livros: Ritos de Passagem - de Claudiney Pietro e O Legado da Deusa - Mirella Faur, do capitulo Maternidade que inclusive foi enviando para mim por minha amiga e irmã Dani Salles, mais uma vez, obrigado, peguei dicas preciosas. O rito de passagem da maternidade não é só necessario para o equilibrio psico-espiritual da mulher, mas também para o grupo em que ela vive, onde percebemos uma união e identificação entre as mulheres, essa solidariedade feminina é algo precioso e único. Eu fiquei realmente muito feliz em compartilhar disso com "minhas" meninas... E como madrinha da futura pagã que está chegando acredito que estou cumprindo um dever sagrado que é o de ajudar e apoiar minha irmã Priscila.

Eu lavando os pés da minha irmã Priscila...um momento especial para nós...

4 comentários:

deathgirl777 disse...

Incrível..
Não conhecia este ritual, sou iniciante na Arte, e achei lindo, chorei a frente do pc em pensar no que muitas mulheres passam hoje em dia para conceber um filho.
Que esta criança e esta mãe sejam abençoadas pela Deusa em todos os seus estágios
Que assim seja e assim se faça

Escuridão disse...

Interessate Bárbara Guerreiro o conceito e o ritual de Blessingway, até porque na atualidade o parto normal esta sendo rediscutido, pois as bençãos de se ter um parto normal são grandiosas,isso em termo de recuperação, psicológicos e espirituais pois ja faz parte da essêncial da Deusa, e no sentido contrario, de que é interessante se fazer um parto cesaria, visto que se recebem mais para fazer isso. Coisas do sistema de saúde.

Luciana Onofre disse...

Vivências assim são inigualáveis!

PriGaia disse...

� sem d�vida um Ritual belissimo, principalmente por seu significado, qualquer mulher que j� seja m�e sabe o qu�o �nico esse momento �...(todas falam isso! mas pq � realmente).
E um Ritual de Ben�o a M�e e o beb� ainda no ventre � sem d�vida algo �nico e Belo.
Fiquei muito honrada e agradecida por ter tido essa Ben�o, por gra�a e obra da B�rbara, uma Pag� dedicada que Admiro muito.
Quem dera toda mulher tivesse esse momento de Ben�o por parte das mulheres que fazem parte de suas vidas.
O ritual em s� tambem tem a importancia de nos manter ligados a nossa espiritualidade,
nesse momento, afinal a nossa espiritualidade � parte de nosso
dia a dia e de todos os momentos de nossas vidas
� por essas e outras que me encanto com a espiritualidade Pag�.
E que falta faz as Obstetr�ces!!!
no mundo de hj em que a maternidade n�o � vista (principalmente por mulheres) como uma passagem divina de nossa condi�o de f�mea.
Eu sou Pag� mas n�o fui a vida inteira e antes de ser Pag� minha concep�o de Mulher e de F�mea era completamente diferente de minha conci�ncia hoje.
E isso se faz diretamente no campo psicol�gico como citado; a conci�ncia do vinculo m�e e beb� desde o ventre, estendendo-se al�m do ventre.
As mulheres hj realmente n�o s�o preparadas para essa transi�o e muitas passam por ela alheias a tudo isso.
O Caminho da Ben�o nos reconecta com a sabedoria e o sagrado que nos une, como
mulheres, como representa�es que somos dos aspectos da Deusa.
E nos lembra o Dom sagrado a que somos respons�veis.
E nos re-lembra o qu�o sagradas somos tambem.
Foi liiindo, um dia m�gico e especial, para mim e para minha Pequena Pag� Arthemis.
S� tenho a agradecer a todas e em especial a B�rbara, que � uma ben�o que ganhei em minha vida.
Espero poder participar de muitos outros na condi�o agora de
Aben�oar uma nova M�e e seu ventre.