sábado, 20 de dezembro de 2008

Aviso aos amigos da Baixada Santista!

Dia 31/12/2008 às 13:30 quem puder assista ao progama "Ação e Reação" que será apresentado pela Fernanda Vanucci na Santa Cecilia TV, estarei lá ao lado de um grupo maravilhoso de ciganas falando sobre "Rituais de Ano Novo"... não percam!
Consegui um tempinho nessa correria de mudança e reforma, gravei o programa e consegui postar este aviso.
Devo essa oportunidade a minha amiga e madrinha mágica Cynthia, que pediu (gentilmente) que eu representasse o "Old Religion" nessa entrevista, o que fiz e sempre farei com muito carinho.
Agradeço a Aymar, Esmeralda e Kelly as três ciganas encantadoras que me ajudaram a ficar confortavel perante as cameras..rsrs.
E claro a Fernanda, que é um encanto de apresentadora.
Espero que vocês assistam, gostem e comentem...beijos encantados à todos.
http://www.santaceciliatv.com.br/
Link para vocês sintonizarem e assistirem pela internet...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Paciência e Compreensão é o que peço....

Minhas amadas e companheiras na Jornada pelo Sagrado Feminino estou numa fase de muitas mudanças, nesta quinta-feira, dia 04/12/2008 estarei fazendo minha mudança para minha nova casa, que ainda se acha em fase final de reforma. Vocês podem imaginar o caos em que estarei vivendo pelos próximos dias. Por isso decidi postar este pedido de compreensão à todas... ficarei um pouco ausente, mas somente em corpo, porque em alma e em pensamento estarei sempre aqui. Peço que todas que lerem está postagem emanem suas energias de amor e sabedoria para mim... para que eu consiga enfrentar os próximos dias que serão extremamente tensos com muita serenidade e calma... realmente estarei precisando da ajuda espiritual de todas vocês! Mas daqui a pouco estarei de volta, e então estarei postando textos inéditos sobre o poder da menstruação, o altar menstrual, palavras de poder das Deusas, simbolos do sagrado feminino, e outros, todos em fase final de edição. Peço só um pouco de paciência à vocês minhas irmãs, e agradeço pela visita constante de muitas de vocês. Este blog foi e é feito para trazer informação e apoio a causa da espiritualidade feminina. Estou 101% envolvida nisso! Ficarei morrendo de saudade de sentar a minha mesa, e devanear, ler textos para adaptá-los ou postá-los, ler os comentários que me deixam... mas essa mudança será uma nova etapa também para minha vida espiritual. Irei finalmente para um apartamento térreo, que me proporcionará um quintal fechado para finalmente tornar frequente as reuniões do Circulo de Gaia (meu circulo feminino), sem falar que terei um escritório (hahaha...finalmente) com espaço para minha estante de livros, meu altar...ai tudo que sempre quis manter junto... e a melhor parte um quarto de artesanato onde poderei produzir minhas caixas mágicas, toalhas e jarros menstruais e meus produtos mágicos, meus sonhos estão se realizando, mas houve uma longa estrada até aqui, dura, mas que está prestes a chegar no lugar mais maravilhoso que nós (eu e meu marido) poderiamos ter criado: Solarium Guerreiro Duarte. Em breve postarei fotos da casa nova em meu perfil do orkut, quero compartilhar essa vitória com vocês, para que vocês vejam do que nós mulheres somos capazes quando colocamos a mão na massa e vamos para guerra e lutamos pelo o que queremos! Essa vitória é de todas nós, mulheres pagãs, mães, que trabalham fora, estudam, criam seus filhos, cuidam de suas casas, seus maridos, sua espiritualidade e ainda tem tempo de sonhar e realizar seus sonhos! Minhas amadas um beijo encantado à todas e um até breve, já morrendo de saudades!
Eu de luva, literalmente com a mão na massa na reforma da casa nova.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Oráculo da Deusas - Cerridwen

MORTE E RENASCIMENTO
Eu lhe dou a vida
Eu lhe dou a morte
é tudo uma coisa só
Você anda pelo caminho em espiral
o caminho eterno
que é a existência
sempre se transformando
sempre crescendo
sempre mudando
Nada morre que não nasça outra vez
nada existe sem ter morrido
Quando vier até mim
eu lhe darei as boas-vindas
então a acolherei no meu útero
meu caldeirão de transformação
onde você é misturada e peneirada
fundida e fervida
derretida e triturada
reconstituída e depois reciclada
Você sempre volta para mim
você sempre vai embora renovada
Morte e renascimento
não são nada mais que pontos de transição
ao longo do Caminho Eterno

Mitologia
Para os galeses, Cerridwen é uma Deusa tríplice — donzela, mãe e mulher idosa — cujo animal totêmico é uma grande porca branca.
Ela se relaciona com a Lua, a inspiração, a poesia, a profecia, a mudança de forma e a vida e a morte. Cerridwen teve dois filhos. Um era belo e o outro, feio. Como queria que o rapaz feio tivesse algo de seu, ela fez para ele uma poção mágica. Demorou um ano e um dia para terminar de fazer a poção, que se destinava a torná-lo inspirado e brilhante. Ela ordenou que Gwion, seu assistente, tomasse conta da poção e o advertiu para não bebê-la. Acidentalmente, algumas gotas da poção espirraram na mão de Gwion, e ele levou a mão à boca. Instantaneamente, ele sabia tudo, até mesmo que Cerridwen tentaria matá-lo. Ele fugiu e ela foi atrás dele. Depois de muitas mudanças de forma, Gwion foi engolido por Cerridwen, que o deu à luz nove meses depois.

Sugestão de ritual: O caldeirão de Cerridwen
Reserve um horário e um lugar em que você não seja incomodada.Sente-se ou deite-se confortavelmente, com a coluna reta. Feche os olhos. Inspire profundamente e expire lentamente, contando até dez.
Inspire outra vez e novamente expire contando até dez. Faça uma terceira inspiração profunda e, enquanto solta o ar, visualize ou sinta um túnel. Pode ser um túnel que você conheça ou um túnel que você imagine. Fique em pé do lado de fora do túnel e passe os dedos pela superfície da entrada. Sinta o cheiro. Entre no túnel. Lá dentro
está quente e confortável, ele é bem iluminado e agradável. Você vai descendo, descendo cada vez mais fundo. Descendo, descendo, sente-se relaxada, confortável,até chegar ao final do túnel. Há luz no fim do túnel, a luz do Além.
Você passa para o Além e é recebida por Cerridwen. Ela pega você pela mão e a leva até seu caldeirão. Ele é gigantesco e preto.Cerridwen mexe o conteúdo do caldeirão e pede que você ponha ali tudo o que precisa ser transformado e abandonado, tudo que precisa morrer. Você põe tudo no caldeirão e mexe. Cerridwen agita o caldeirão.
Cerridwen pára de agitar o caldeirão, deixa de lado seu bastão e coloca as mãos dentro dele. Ela tira o que você jogou lá dentro, que coloca na sua frente. O que você jogou foi transformado no que é preciso. Você agradece a Cerridwen e ela lhe pede um presente, que você dá de boa vontade. Pronta para voltar, você entra no túnel levando consigo o que foi transformado dentro do caldeirão de Cerridwen.
Agora você está subindo, subindo, subindo, sentindo-se revigorada, energizada. Continue a subir até chegar à entrada do túnel. Você sai do túnel e respira profundamente. Ao expirar lentamente, você volta ao corpo. Respire fundo mais uma vez e, quando estiver pronta, abra os olhos. Seja bem-vinda!

Oráculo das Deusas - Amy Sophia Marashimskv

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Direito de Menstruar

Hoje fiz uma descoberta no minimo maravilhosa; fui convidada a participar de uma lista de discussões sobre assuntos femininos, e minha surpresa veio de um dos assuntos lá tratados, um parágrafo que faz parte da CLT, que dá direito as mulheres de faltarem no periodo menstrual, observe:
"- A mulher, com dificuldades no dia da menstruação estiver sofrendo para trabalhar, solicitar descanso (metade do dia ou mesmo em quantidade de horas), será concedido a Folga Fisiológica."
Ou seja, existe uma lei que protege nosso direito de menstruar, de lidar com esse momento delicado do nosso ciclo, um momento de poder sim, mas que as vezes nos deixa desgastadas, cansadas, e por negarmos sua existência ele se tornou triste, pesado, inconveniente, sendo que ele é necessário, e faz parte da grandeza de nossa natureza.
Como já disse minha querida Sabrina Alves; "é urgente adquirir respeito pela revelação pessoal, espiritual e dos ciclos femininos, que são a representação micro da ciclicidade macro de Gaia."
Enquanto não aprendermos a curar nossas feridas interiores, e resgatar nossa essência feminina os inconvenientes menstruais vão acontecer, mas a medida que vamos restabelecendo o contato com o nosso útero, essas sensações mudam e logo esses dias serão, dias de poder, em que você se sentirá forte como uma leoa...prestes a conquistar o mundo!
Agradeço a Dani moderadora da lista de discussões Ciclos Naturais Femininos por ter me convidado para participar da lista e por ter autorizado que eu postasse aqui o link da lei para quem quiser ler na integra o que diz o texto sobre folgas e dias remunerados, espero que a descoberta das meninas da lista de discussões mexa tanto com vocês como mexeu comigo, por isso pedi a Dani para compartilhar com vocês essa descoberta, ela nos dá o direito de menstruar em paz, de nos recolhermos, nossas ancestrais se recolhiam nas "Tendas da Lua", e lá se resguardavam e utilizavam desse momento magicamente, hoje em dia já não é possivel nos recolhermos em "tendas" integralmente durante nossa lua, mas podemos nos reconectar com essa energia com exercicios e praticas que nos ajudarão a passar por esse periodo de maneira menos dolorosa e mais gratificante. Em breve estarei postando mais sobre esses exercicios e praticas.
Até lá!
Novo Link para Noções de Direitos Trabalhistas


sábado, 15 de novembro de 2008

Pela Individualidade Feminina

Por que muitas vezes aceitamos migalhas? Deixamos as pessoas nos subjulgarem, nos substimarem, somos fortes... somos grandes... somos dotadas de sensibilidade e poder.
Eu assisti o filme "Dreamgirls- Em busca de um sonho" e terminei o filme em lágrimas, ao perceber que aquela história poderia muito bem ser a minha... ou a sua.
Quantas vezes confundimos os nossos sonhos com os sonhos dos outros, e tomamos pra nós a responsabilidade da felicidade daqueles que nos rodeiam, nos sentindo responsáveis pelo fracasso alheio, e tomamos toda a dor pra dentro de nós!
Por que? Se nossa missão é ser feliz, não estou dizendo que devemos nos tornar egoístas ou megalomaníacas, mas uma boa dose de individualismo pode nos ajudar a dar passos seguros, a auto-suficiência não é ser cruel, mas é agir por conta própria, é saber decidir sozinha o que é melhor pra você, é claro que você pode e deve pedir opiniões, elas podem nos ajudar a escolher de forma correta, mas no fim algumas decisões são só suas.
Ninguém tem o direito de lhe condenar por uma má escolha, principalmente se ela foi feita somente por você, é seu direito errar, cair e se levantar. Bem melhor do que usar a desculpa de que seu erro ocorreu porque você fez o que lhe mandaram...
Ninguém tem o direito de subjulgar nossos sonhos, de dizer que eles são errados, não viaveis ou impossiveis, eles são nossos, nos pertencem e é nosso dever lutar por eles, ninguém deve dizer o que devemos ou não fazer, seja quem for, você é a dona do seu destino, você é quem escreve sua história todos os dias, tire a caneta da mão de quem tenta escrevê-la por você. Ou você corre o risco de se tornar uma pessoa amarga no fim de sua vida, dizendo que não fez nada do que gostaria de ter feito... quantas mulheres nós ouvimos dizendo isso em sua velhice?
Seja quem você é sem medo de desapontar quem ama, dê razões pra ser amada pelo que é, ou como diria o poeta Victor Hugo, ser amada apesar daquilo que você é!
A nossa felicidade reside dentro de nós mesmas e não no que o outro nos proporciona, o amor é uma troca, sobretudo de qualidades, se nos sentimos inferiores, feias, dependentes, fracas; que qualidades temos pra oferecer nesse relacionamento?
Você é muito maior do que pensa, você é muito melhor do que consegue ver, olhe atentamente seus olhos no espelho e contemple sua verdadeira imagem, sua Guerreira Interior, a mulher que precisa vir a tona e lutar por sua felicidade, ela pode dar toda a força de que precisa, todas as direções que deve tomar, ouça sua voz!
Assuma a responsabilidade por sua felicidade, retome as rédeas da sua vida e seja quem deseja ser, e principalmente quem você é!
Boa sorte!!! O mundo certamente será um lugar melhor com pessoas originais!
Não tema correr riscos, apenas quem corre riscos é livre!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Memórias Juvenis de Babi Guerreiro

Hoje eu acordei com uma sensação de melancolia tão grande, uma saudade da minha adolescência, e principalmente dos velhos amigos, daqueles com quem eu passava a maior parte do tempo.
Ouvindo música, fazendo poesia, andando de bicicleta, tempo gostoso... quando não precisavamos nos preocupar com o vencimento das contas, em levar filhos à escola...rsrs... crescer, amadurecer, ter responsabilidades faz parte da vida, mas como negar essa saudade dessa época de falsa inocência, quando achavamos o mundo um lugar à ser transformado, ao ouvir a Legião Urbana bradando em alto e bom som: Que País É Este? Tudo que eu almejava era trabalhar com Fotografia Jornalistica, sair por ai em cima de uma moto congelando momentos inesqueciveis, ao som do U2, rsrs... sem teto, sem compromisso, independente, só com meia dúzia de roupas na mochila e uma idéia na cabeça... Ser livre!!!
Era isso que eu queria ser quando eu crescesse... mas a vida tem caminhos misteriosos, a Fotografia se tornou um hobby, o Jornalismo está em stand by, independente? Sim, sou dona do meu nariz, fui a primeira entre os amigos em adquirir minha casa própria e independência financeira, aos 20 anos, uma grande conquista!
Mas tenho mais compromissos do que quis na vida...rsrs... casei, 2 vezes, e da primeira união que durou num total de 11 anos tive minha filha que hoje tem 4 anos e meio.
Não existem arrependimentos... nem duvidas, só saudades... gostaria de passar mais tempo com esses amigos, vê-los com mais frequência, recordar os bons tempos, quando nossa unica preocupação era não ficar de recuperação naquela matéria chata, porque isso podia acarretar um castigo terrivel: não poder sair nas férias com os amigos!!!
Que saudade do meu coletinho jeans, pixado, inseparavel no ginásio, meu all star preto cano alto, meu babuche, meu walkman amarelão, tocava minhas fitas favoritas e consumia pilha como só...rsrs... hoje ando com meu mp3 ouvindo quase sempre as mesmas músicas que antes... "tempos mudernos"... velhos costumes...
Continuo andando de bicicleta, por outras ruas, outros bairros, sai da periferia para o centro urbano, continuo usando tênis, mas não o all star... e continuo acreditando que posso transformar o mundo num lugar melhor, estudei Teologia, me tornei estudiosa também de antigas culturas, encontrei as religiões matriarcais, virei Ecofeminista... hoje tento unir minhas ideologias e coloca-las em pratica para que esse mundo seja um lugar bom pra minha filha crescer, há muito o que fazer é verdade... mas sou uma virginiana otimista, que quer encontrar sua utilidade no mundo!
Continuo trabalhando por minhas ideologias, acreditando nelas e muitas vezes pagando caro por elas, mas eu não paro de caminhar, a estrada é longa e eu tenho fôlego!
E enquanto aguentar vou enfrente sem parar.... talvez a liberdade seja um estado de espirito, pois nunca me senti tão livre!!!
Dry, Mara e Eu - Revellion de 1998 - Amigas de infância, estão comigo há mais de 20 anos, não imaginaria minha vida sem elas!!!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Código de Honra - De Magdala Feminino Essencial

Este material circula pela internet com o título de "Poema Celta". Não se sabe na realidade se é um código de honra das mulheres celtas, porque elas nunca deixaram nada escrito. Recebi em mensagem da minha amada irmã Carla Lampert, do Magdala Feminino Essencial Sul, que postou ontem esse lindo texto que também quero dividir com vocês. Gostaria de dizer a todas que o link do Magdala está na lista dos Recomendados, prestigiem o blog da Carlinha que tem um trabalho muito lindo. O texto retrata o que há de mais forte dentro de cada mulher, a liberdade e o amor:

"Jamais permitas que algum homem a escravize, nasceste livre para amar e não para ser escrava.

Jamais permitas que teu coração sofra em nome do amor.
Amar é um ato de felicidade, por quê sofrer?

Jamais permitas que teus olhos derramem lágrimas por alguém que jamais fará você sorrir!
Jamais permitas que o uso do teu próprio corpo seja cerceado.
O corpo é moradia do espírito, por quê mantê-lo aprisionado?

Jamais te permitas ficar horas esperando por alguém que jamais virá, mesmo tendo prometido.
Jamais permitas que teu nome seja pronunciado em vão por um homem cujo nome tu sequer sabes!

Jamais permitas que teu tempo, corpo e coração seja desperdiçado por alguém que nunca terá tempo para ti.
Jamais permitas ouvir gritos em teu ouvido.
O Amor é o único que pode falar mais alto!

Jamais permitas que paixões desenfreadas te transportem de um mundo real para outro que nunca existiu.
Jamais permitas que os outros sonhos se misturem aos seus, fazendo-os virar um grande pesadelo.

Jamais acredites que alguém possa voltar quando nunca esteve presente.
Jamais permitas que teu útero gere um filho que nunca terá um pai.
Jamais permitas viver na dependência de um homem como se tu tivesses nascido inválida.

Jamais permitas que a dor, a tristeza, a solidão, o ódio, o ressentimento, o ciúme, o remorso e tudo aquilo que possa tirar os brilho de teus olhos a dominem, fazendo arrefecer a força que existe dentro de ti.
E, sobretudo, jamais permita-se perder a dignidade de ser mulher!"

Carlinha um super beijo pra você...cada dia que passa amo ainda mais seu trabalho!!! Espero conhecê-la pessoalmente em breve, são mulheres como você que ajudam a fazer a diferença! Toda minha admiração e carinho à você...luz sempre!!!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Tabus Menstruais — Superstição ou Sabedoria?

Como outros mitos acerca da Lua, os referentes à menstruação podem conter muitas verdades. Tabus semelhantes são encontrados em áreas muito separadas do globo. As mulheres menstruadas eram isoladas em cabanas especiais, evitavam contato sexual e se lhes proibia cozinhar ou tocar nos alimentos e outras coisas. Seriam tais costumes superstição e preconceito
contra as mulheres, ou será que — como tantas tradições populares — eles contêm uma antiga sabedoria? Ao longo dos séculos, eles poderiam ter sofrido distorções e elaborações. Mesmo assim, no cerne dessas práticas as mulheres podem encontrar conexões com sua natureza lunar. Para descobrir os propósitos dos tabus, analise o círculo do Ascendente Câncer.

O Isolamento das Mulheres Menstruadas: Como a prática de isolar as mulheres menstruadas foi seguida no mundo inteiro, deve ter havido boas razões para tal. O círculo sugere que as mulheres podem necessitar de um certo grau de isolamento todo mês, para entrar em contato com os instintos e as emoções. Câncer necessita de uma concha protetora. Aquário na 8ª, a casa da regeneração, mostra que a separação durante essa fase pode ser curativa. À semelhança do resguardo pós-pano, a cabana da menstruação deu às mulheres o tão necessário sossego. Repouso e privacidade durante o período são importantes para manter o equilíbrio emocional. Incômodos como cólicas e TPM surgem quando os sentimentos reprimidos afetam nossos corpos e nos forçam a prestar atenção.
Os retiros periódicos do mundo são também uma questão da 12ª casa, que aponta para ganhos espirituais. Alguns sensitivos dizem que as mulheres são extremamente mediúnicas durante o pré-menstrual e a menstruação. Como o plexo solar tende a estar plenamente aberto, nós facilmente vemos nosso equilíbrio abalado pela negatividade. Essa vulnerabilidade pode ser uma razão pela qual parecemos teimosas e irracionais durante nossos períodos. Estamos percebendo e reagindo psiquicamente às emoções e motivos inconscientes dos outros. O isolamento pode proteger a mulher intuitiva altamente sensibilizada. Ele também lhe faculta tempo para meditar, vivenciar o hemisfério lunar e voltar com ele ao alinhamento correto.
Isaac Bonewits apresentou uma visão menos positiva dos poderes ocultos das mulheres. Doutor em magia ritual, ele se localiza na linha divisória entre a ciência e o ocultismo. Ele acredita que as mulheres menstruadas emitem energia negativa que interfere no ritual mágico. Embora isso pareça contradizer a visão paranormal das mulheres, talvez nossos poderes devam ser dirigidos para outras tarefas, que não rituais, durante aquela fase. Se não entrarmos em contato com nossos hemisférios lunares e não satisfizermos nossas necessidades especiais, a perturbação resultante pode afetar negativamente as energias mediúnicas. Um retiro pode nos ajudar a
reaprender a utilização dessas energias para aquilo que foram programadas.

Jejum e Tabus Alimentares: Outras práticas comuns, como fazer jejum ou não tocar nos alimentos, podem ter-se devido à higiene precária em circunstâncias primitivas — ou não. O fluxo menstrual é um modo de o corpo descarregar as toxinas, razão pela qual as mulheres são mais saudáveis que os homens e vivem mais tempo. Os bioquímicos descobriram que esse sangue contém proteínas mal metabolizadas, porque nossas funções hepáticas estão comprometidas naquele período. Na pré-menopausa, as mulheres têm muito mais cálculos renais e afecções hepáticas. O dr. Burton Coombs, especialista em problemas hepáticos, associa a suscetibilidade das mulheres a distúrbios do fígado com a presença do estrogênio em nossos
corpos. No círculo do Ascendente Câncer, a ênfase no fígado é mostrada por Sagitário, regido por Câncer na casa da saúde. Júpiter governa o fígado. O estrogênio, principal hormônio feminino, é metabolizado neste órgão. Muitas culturas prescrevem jejuns ou dietas especiais durante o período menstrual, sem dúvida para dar um descanso ao fígado. Qualquer pessoa que tenha uma
história pessoal ou familiar de problemas hepáticos deve experimentá-lo.

Abstinência Sexual: Se o retiro menstrual é válido, outros tabus menstruais universais também podem ser sensatos, como a proibição do sexo. A 8ª casa significa sexualidade e regeneração. O desapegado Aquário está presente no círculo do Ascendente Câncer. Talvez nessa fase do ciclo, o desapego em relação ao sexo promova uma consciência mais elevada, além de regeneração. A abstinência também pode nos proteger de infecções. O vestíbulo uterino fica mais aberto durante esse período do que em qualquer outra época. O sangue pode agir como meio de cultura para bactérias ou doenças sexualmente transmissíveis.
O astrólogo Bob Mulligan, oferece uma justificativa espiritual para a proibição sexual. A exemplo dos seguidores de Alice Bailey, ele afirma que existe uma poderosa divindade feminina conectada com a Lua. O celibato é exigido para invocá-la e para exercícios espirituais destinados à remoção de obstáculos relacionados com a Lua. A abstinência durante a menstruação, quando o plexo solar está aberto, pode na verdade servir para aumentar o poder espiritual. Quer se aceite ou não uma divindade feminina, o celibato intermitente é recomendado em muitas práticas espirituais.
Se os ciclos das mulheres se correlacionavam outrora com as fases da Lua, então a Lua cheia e a Lua nova devem ter sido espiritualmente poderosas. Meditações em grupo e rituais aumentam as energias mediúnicas, logo você pode imaginar o impacto da quantidade de mulheres em celibato, confinadas em cabanas de menstruação e envolvidas em trabalho espiritual. Como nos distanciamos desse poder, ao nos divorciarmos dos ciclos naturais! Ao prestarmos atenção a este ritmo, podemos recuperar parte do poder.

Trecho do livro A Lua na sua vida - O Poder Mágico e As Influências Sobre as Mulheres, de Donna Cunningham.
Um dos melhores livros sobre influências lunares do ponto de vista astrológico com vários dados de pesquisas. Recomendo à todas, é uma excelente leitura!!!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Tempo Matriarcal

Em épocas matriarcais, ser uma mulher era compreendido como algo especial, por causa da habilidade de sangrar sem feridas e sem morte. E, reter seu sangue durante um longo período na gravidez, para produzir uma vida nova! Que presente miraculoso, a perpetuação da espécie.
Como uma mulher entra na idade da sabedoria, seu sangue sábio foi retido dentro de seu corpo. Esta era considerada uma estadia, o incrível poder da mulher em menopausa. Seu ' sangue sábio '; da vida e as habilidades de desafiar a morte permaneceram dentro de seu corpo para seus únicos uso, finalidade e desejo. Não mais por muito tempo terá que sangrar e nutrir a terra com seu presente de sangue, nem necessita compartilhar de seu corpo para ajudar criar uma vida nova. Reteve todos estes presentes e poder para seu próprio uso. Isto fez-lhe uma figura de incrível poder, com muitas dádivas especiais, bênçãos para compartilhar com seus povos. Com o advento do conhecimento científico, a menstruação, a gravidez, o nascimento e a menopausa têm sido reduzidos, às vezes, às condições médicas e, em outras vezes,emergências médicas.
Freqüentemente, por causa do conhecimento e da terminologia científica, a mágica, a beleza, o poder e a sabedoria do menstruação, da gravidez, do nascimento e da menopausa foram perdidos e negligenciados no mundo. Com uma mudança do pensamento e do sentimento nós podemos recuperar e honrar nossos corpos para toda a magia, divertimento, e amor se tivermos o coração para fazer exame mais próximo na verdade de quem nós somos realmente em comparação às ordens, aos pensamentos e às opiniões de outros. Boas vindas na fase da mulher do sangue sábio.
A transição para a menopausa pode ser um momento do apreensão e incerteza de nos mesmos, nossos corpos e de nosso futuro. Pode ser um momento reduzido a uma condição médica que possa requerer atenção . Pode ser um momento experimentado como uma elevação emocional através das mudanças em níveis hormonais. Pode ser reduzido a um momento da inconveniência e do desespero para outro e para si.
A menopausa pode ser experimentado como um dos divertimentos dos tempos emocionantes da vida. É um momento para escolhas. É um momento para a mulher, para ela mesma , suas necessidades, desejos, experiências, liberdade . Tudo isto pode ser inesperado e oprimindo dependendo como uma mulher aprende, e as experiências, as escolhas novas e diferentes a essas. A menopausa é um momento de grande mudança. É importante fazer exame do espaço sagrado para descobrir nossas possibilidades e nossos potenciais e para curar e liberar isso que nós requeremos, não por muito tempo. Isto permitirá a nos movermos com mais facilidade e finalidade no presente, e assim determinar o futuro, nosso futuro.
O futuro das filhas e as possibilidades gloriosas que estão disponíveis à mulher. Reflexões :
Que eu quero?
Que terapias alternativas estão disponíveis a mim se eu estiver experimentando sintomas?
Que pode me ensinar estes sintomas ?
Eu honrei ou honro meus ciclos?
Eu respeito-me?
Como eu sinto sobre minha fertilidade ou a perda da fertilidade?
Como eu sinto sobre minha menstruação ?
Como eu sinto como uma mulher?
O faço espiritualmente enquanto eu me aproximo da menopausa.
Eu penso que estou no momento de sabedoria?
Eu penso que meu sangue é sábio?
É muito importante ter a informação sobre nossos corpos, a maneira que trabalham, as mudanças a que todos nós vamos completando, porque nós crescemos e nos tornamos. Compreendendo o que nós queremos ou necessitamos, nossas escolhas, nossos corpos, nossas vidas.

Texto de Arielle Kaph

Que essas sejam as reflexões de todas nós durante os ciclos de morte e renascimento, até a chegada do "Sangue Sábio", envelhecer não é sinônimo de decadência e sim de sabedoria, maturidade. A menopausa é só mais uma etapa da evolução da mulher rumo ao Divino Feminino.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Absorvente ecológico - Parte 2

Onde encontrar absorventes reutilizáveis no Brasil?
aBiosorventes: bonitinhos e ecologicamente corretos
Bom, sempre dá pra fazer você mesma - ou mandar fazer na costureira ou na casa da avó, que tem máquina de costura. Mas agora já dá para comprar pronto aqui também, o que antes era um privilégio de americanos e europeus. Bonitinhos e ecologicamente corretos, os aBiosorventes são os primeiros absorventes reutilizáveis produzidos em escala comercial no Brasil.
Quem responde pela obra é Diana Hirsch, uma geografa carioca de 26 anos que está se preparando para cursar mestrado em Saneamento Ambiental. Tudo a ver com a função de fabricante e divulgadora de absorventes reutilizáveis: "Meu interesse é juntar a saúde da mulher com a questão dos resíduos sólidos, atrávés do aBiosorvente".
O projeto iniciou depois que Diana assistiu a um vídeo, produzido pelo curso de comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, chamado Conexão: Dioxina. "Esse vídeo explicava o que era a dioxina, e mostrava que na Alemanha as pessoas tinham a opção de comprar produtos que não fossem branqueados. As meninas da turma pensaram então em fazer um absorvente que não precisasse conter dioxina".
Diana então foi para a Internet, pesquisar. Achou dezenas de opções de absorventes sem dioxina e reutilizáveis - todos caros de importar. Sabendo costurar, ela resolveu então fabricar seus próprios absorventes. "Algumas amigas quiseram, e as amigas das amigas também, e aí pensei que seria uma boa trazer essa discussão para o Brasil".
Os aBiosorventes custam R$ 4,00 - ou 3 unidades por R$ 10,00. Para comprar, visite o site.
Diana contou para Planeta na Web como é conviver intimamente com os aBiosorventes:

Planeta na Web - Como é a aceitação de seu absorvente reutilizável?
Diana Hirsch - Bastante diversificada. Tem pessoas que eu juro que vão entender de cara, e não entendem, e tem outras que eu explico só porque elas perguntam, pois acho que nunca entenderiam, e elas acham a idéia fantástica! Isso vem sendo muito bom para eu parar de julgar as pessoas só pelas aparências... Venho descobrindo que a aceitação dos aBios passa por uma discussão muito maior: desde uma auto-aceitação, não ter nojo de lavar o próprio sangue, até um envolvimento maior com o Planeta, de cada um ser consciente da sua parcela de responsabilidade e de possibilidade. Olhando com um olhar mais macro.

PnW - Como fazer para lavar? Não é anti-higiênico?
Diana - É tão simples como lavar uma calcinha, a única diferença é que você precisará deixar de molho antes. Eu costumo deixar de molho um ou dois dias, e depois coloco na máquina de lavar, mas tem gente que depois do molho lava no banho. Com relação à higiene: um absorvente reutilizável não é mais anti-higiênico do que uma calcinha. Se você se sente segura para usar uma calcinha reutilizável, não tem porque não se sentir segura para usar o absorvente. A única pergunta é: você lava bem a sua calcinha?

PnW - Menstruação ainda é um tabu, e não deveria, já que toda a mulher menstrua. Por que você acha que ainda é considerado impuro ou sujo?
Diana - Acredito que ainda é resquício da sociedade patriarcal que a gente vive. O homem não menstrua, e, em geral, não se sente muito confortável com essa situação. Colocar a menstruação com esse status talvez tenha sido necessário para se estabelecer a sociedade nos moldes como se encontra hoje. Uma mulher que vê a sua menstruação e sua condição feminina como algo de bom, certamente é uma pessoa mais fortalecida e segura da sua condição. Isso dificultaria muito o trabalho dos homens. Deve ter sido necessário esse domínio patriarcal por algum tempo, apesar de que eu não sei porquê. Mas acho que já podemos nos fortalecer novamente. Não para 'lutar' com eles, mas para podermos ser livres.

PnW - Qual o impacto que representa o cultivo de uma relação mais saudável com a nossa própria menstruação?
Diana - A nossa sociedade rejeita a menstruação, mas não foi sempre assim. Durante muito tempo, até a Idade Média, vários rituais de fertilidade em adoração à Deusa eram feitos quando as mulheres da tribo estavam menstruando. Até porque elas menstruavam juntas, o que era muito comum. Aliás, apesar do nosso distanciamento, ainda é possível perceber isso: muitas mulheres, quando moram juntas, ou são muito amigas, com muita afinidade, tendem a menstruar na mesma semana! Isso é muito interessante ser notado: por mais que evoluamos tecnologicamente, e cada vez mais nos afastemos da nossa origem animal, acontece algo dentro de nós, mulheres, todo mês, que tem uma estreita relação com a Lua e com outras mulheres próximas a nós. Isso pode nos trazer de volta a nossa condição humana, enquanto seres que também fazem parte da natureza.
Esse texto é parte integrante do texto Incomodada ficava sua avó de Alessandra Nahra

Para quem quer mais informações e gostaria de comprar ou produzir o seu próprio absorvente ecólogico, no final da página do blog à direita nos links me encontre no Orkut, você encontrará o link para a Comunidade Absorvente Ecológico, da qual faço parte, lá existe uma infinidade de informações sobre esse tema.
O Guerreira Interior apoia e participa do Ativismo Pagão - Por uma atitude consciente pró-terra. Nós somos a voz Dela! -Bárbara Guerreiro

Absorvente ecológico - Parte 1

Incomodada ficava a sua avó
Hoje relegada ao banheiro, a menstruação já ocupou um lugar de destaque na vida das comunidades matriarcais. Agora, as mulheres estão redescobrindo o poder inerente a esse ciclo cósmico-feminino. Adotar absorventes reutilizáveis, em vez dos poluidores descartáveis, é um dos passos nesse processo.

Uma pergunta para as mulheres: como você encara a sua menstruação? Como algo que incomoda, que vem de surpresa e a pega desprevenida, manchando calcinhas e causando cólicas? Como um inconveniente que você, se pudesse, não teria? Ou como apenas mais um dos fatos da vida, sobre os quais não temos nenhuma influência e dos quais queremos nos livrar o mais rápido possível?
Se alguma dessas descrições se encaixa na sua visão sobre a menstruação, você provavelmente prefere tampões e mal olha para baixo quando está trocando o absorvente. Quanto menos você ver, ou tiver que lidar com o seu sangue menstrual, melhor. A idéia de um absorvente reutilizável, que você lava em vez de jogar fora, é totalmente alienígena.
Afinal, "incomodada ficava a sua avó" - como dizia o anúncio. As mulheres modernas têm uma infinidade de opções de absorventes e tampões descartáveis. Você compra, usa e joga fora, e isso certamente é um progresso incrível. Fora que mulheres modernas não têm tempo para lavar absorventes. Para que, depois de conquistado o direito ao absorvente descartável, voltar ao tempo da sua avó, que tinha que lavar as embaraçosas toalhinhas higiênicas feitas de flanela?
O raciocínio acompanha os tempos atuais - nos quais, pela praticidade e economia de tempo, se sacrificam recursos naturais e a real qualidade de vida: levar uma vida consciente, em harmonia com o planeta. Os produtos descartáveis são vistos como um progresso e sinônimo de modernidade, porque evitam que se "gaste" nosso precioso e escasso tempo. Muitas mulheres, no entanto, estão preferindo voltar ao tempo da avó, abandonando o destrutivo progresso moderno por uma vida sustentável. E isso tudo pode começar bem perto de nós, no nosso lugar mais íntimo...

Poluição, recursos naturais e autonomia

Estamos pagando um preço muito alto pela praticidade moderna. A produção de descartáveis abusa de recursos naturais que mais cedo ou mais tarde se esgotarão. Absorventes são feitos de papel - leia-se árvores - ou algodão. As árvores, ou o algodão, passam por inúmeros processos de refinamento e branqueamento e acabam grudado na sua calcinha - de onde vão direto para o lixo. Imagine quantas mulheres em idade fértil vivem no planeta. Agora pense em quantos absorventes cada uma dessas mulheres usará durante sua vida fértil. Segundo Diana Hirsch, fabricante dos absorventes reutilizáveis aBiosorventes, "cada mulher usa em torno de 10 mil absorventes descartáveis durante sua vida fértil". Apenas nos Estados Unidos são jogados fora 12 bilhões de absorventes e 7 bilhões de tampões por ano.
Agora imagine para onde vai esse lixo, que não é biodegradável... Imaginou? Não, não existe um limbo dos absorventes. Eles não se desmaterializam assim que desaparecem da sua frente no lixinho do banheiro... Aliás, eles permanecem entre nós por muito tempo, deixando resíduos difíceis de processar, que aumentarão os lixões e a poluição. Certas partes do nosso "modess", por exemplo, podem levar até 100 anos pra se decompor.
Isso sem falar nos componentes químicos, como os agentes que fazem o papel ficar branquinho, e que acabam escorrendo para a terra e contaminando o solo. Por exemplo, a dioxina: subproduto do processo de alvejamento com cloro, é provavelmente a substância que deveria estar mais longe das delicadas partes baixas femininas - já que foi utilizada, numa concentração mais potente, até na guerra do Vietnam. Era conhecida então pelo nome de Agente Laranja.
Outro bom motivo para adotar os absorventes reutilizáveis é a economia. Reutilizáveis podem durar até oito anos, e isso representa um bocado de reais economizados - dinheiro que iria direto para o lixo na forma de absorventes descartáveis. E então chegamos na questão da autonomia. Todos os meses, as mulheres entregam o controle de um processo poderoso e íntimo nas mãos de corporações que não têm a saúde feminina como um de seus objetivos principais. Hoje em dia, se capitaliza tudo - até a menstruação. A publicidade nos diz que é moderno e prático utilizar absorventes e tampões, e nós acreditamos. Se passamos a controlar, nós mesmas, o que fazemos do nosso ciclo mensal, abre-se uma porta para que ocorra uma mudança profunda na maneira pela qual encaramos a "incomodação".

O resgate do feminino e a conexão com o planeta

Ao invés de incômodo, a menstruação pode significar uma chance de interiorização e cultivo da feminilidade. O sangue menstrual, detestado por inúmeras mulheres e considerado sujo em muitas sociedades, pode passar a ser visto de maneira diferente. E então, talvez a idéia de lavar nossos absorventes e reutilizá-los na próxima lua não parecerá assim tão maluca. Afinal, estamos colaborando para um planeta melhor, ao mesmo tempo em que se resgatamos nosso poder feminino.
O uso de absorventes não descartáveis representa um contato mais íntimo com você mesma. "Ao invés de jogar no lixo um sinal de fertilidade, você passa a se relacionar com este sinal, percebendo que a menstruação pode ser uma coisa positiva. É sinal de que você ovulou, e que não precisa ficar preocupada, se seus hormônios estão ok ou não. É sinal de que você fechou um ciclo, assim como a lua, e que agora irá começar outro. É um sinal de esperança do seu corpo, pois é uma limpeza que ele está fazendo para no mês que vem se preparar novamente para gerar uma nova vida", lembra Diana Hirsch. "O ciclo menstrual é um grande presente em termos de flexibilidade, regeneração e criatividade. É um instrumento poderoso para se viver autenticamente, com responsabilidade e consciência", completa Nadia MacLeod, responsável pelo site australiano Menstruation. "Lavar os absorventes e reciclar o sangue no jardim, me mantendo conectada com a Terra, me ajuda a ter consciência dos ciclos da vida".
É preciso mesmo parar de olhar com repulsa, vergonha e medo para esse ciclo que acontece com todas as mulheres. Esse sentimento de sujeira, na opinião de Diana Hirsch, é resquício da sociedade patriarcal em que vivemos. Mas a humanidade nem sempre viveu no patriarcado. Há muito tempo, existiam sociedades de organização matriarcal, nas quais as mulheres eram respeitadas e veneradas e Deus não era Deus - e sim Deusa. Segundo Nadia MacLeod, na medida em que o patriarcado começou a se expandir, as culturas baseadas no culto à Grande Deusa ou à Mãe-Terra foram dizimadas ou se esconderam. "Com isso, se perdeu a reverência, conhecimento e poder inerentes ao ciclo menstrual. Lara Owen, no livro Seu Sangue é Ouro - resgatando o poder da menstruação, completa: "Nos últimos milhares de anos, todas as principais religiões do mundo tornaram-se patriarcais, e todas elas valorizam o intelecto e o espírito acima do corpo e dos instintos".
As sociedades que cultuavam a Grande Deusa viam a menstruação como um processo mágico, quando a mulher podia se conectar com os ciclos do planeta e da vida. "Durante muito tempo, até a Idade Média, vários rituais de fertilidade em adoração à Deusa eram feitos quando as mulheres da tribo estavam menstruando", diz Diana. "O sangramento periódico das mulheres era um acontecimento cósmico, como os ciclos da lua e a subida e descida das marés", afirma Elinor Gadon no livro The Once and Future Goddess. Nadia MacLeod completa: "A menstruação, que já foi considerada uma ferramenta de alto poder de cura para as mulheres e suas comunidades, agora está confinada ao banheiro".

Texto didático e brilhante de Alessandra Nahra

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

As Três Faces de Afrodite

Afrodite talvez seja a Deusa grega mais conhecida pelas massas. Mas será que de fato a conhecemos?
Tentei reunir aqui um pouco do trabalho de pesquisa que fiz em busca das origens do culto e facetas de Afrodite, mas a medida em que minha pesquisa avançada, eu percebia que nenhuma pesquisa, por completa que seja, conseguirá tocar a verdade sobre a conhecida Deusa do Amor.
Há quem considere Afrodite uma variação da Deusa sumeriana do amor e da guerra, Inanna e, isso explicaria o nascimento de Afrodite ter sido no mar, pois somente por essa via o culto à Deusa do amor chegaria do oriente ao ocidente. Talvez seja por esse motivo que Afrodite é também considerada protetora dos viajantes.
De fato, estudando ambas, pude notar muitos pontos em comum. No entanto, a idéia central desse trabalho não é traçar uma comparação entre as duas Deusas, mas compartilhar minhas pesquisas focadas em Afrodite.
Começando pelo seu nascimento, encontrei três versões diferentes.
A primeira versão é segundo Hesíodo – poeta grego da idade arcaica, que escreveu “A gênese dos deuses” e “Os trabalhos e os dias” – para quem Afrodite teria nascido do falo de Urano, extirpado por seu filho Cronos.
Cronos, o filho mais novo de Gaia ou Geia e Urano (Terra e Céu), cortou os genitais do pai porque ele aprisionara seus irmãos nos confins da Terra, no Tártaro.
O falo de Urano foi jogado no mar e das espumas desse nasceu Afrodite. Essa versão explica a origem do nome de Afrodite, “nascida da espuma”.
Logo após seu nascimento, a Deusa nadou até chegar na ilha de Citera. Por isso também é conhecida pelo nome de Citeréia. Segundo a lenda, por onde Afrodite passava, a relva se renovava, as flores nasciam, ela trazia o amor maior, o amor que tudo fertiliza, que embeleza.
Vale, portanto, a associação da Deusa do amor com a primavera, pois está intimamente ligada à vida que se renova, às flores, aos nascimentos. Para corroborar essa associação, encontramos uma outra denominação para a Deusa, Antheia, a Deusa das Flores.
Depois de Citera, Afrodite foi para Chipre, onde foi recebida pelas Horas, guardiãs da porta do céu (o Olimpo) e filhas de Têmis, Deusa da Justiça. Nessa ocasião, Afrodite foi vestida por elas e, em seguida, levada à presença dos Deuses. Encantou a todos, claro!
É dessa versão do nascimento de Afrodite que nasce a chamada Afrodite Urânia, doadora do amor universal, da qual falaremos mais além. A segunda versão de seu nascimento é encontrada, entre outras fontes, em Homero, poeta grego que viveu por volta de 850 a.C em Jônia, antigo distrito grego onde hoje situa-se a Turquia. Homero escreveu Ilíada e Odisséia, porém, há sérias controvérsias históricas em razão da diferença de estilo entre as duas obras. A controvérsia é tanta que há quem ponha em dúvida, inclusive, a existência de Homero. Dessa discussão nasceu a expressão “questão homérica” a qual se diz quando estamos diante de um impasse.
Pois bem, segundo essa segunda versão do nascimento de Afrodite, descrita também por Homero, a Deusa teria nascido de Zeus e Dione. Porém, me parece que nessa versão encontramos uma forma de restringir a amplitude e força da Deusa.
Entre as discrepâncias encontradas nessa versão, a que mais me chamou a atenção foi o fato de Afrodite ser também conhecida pelo nome de Dione, que é a forma feminina de Zeus, conhecida como Deusa das águas, das fontes, do carvalho e dos oráculos, sendo essa última característica de Afrodite, pouco mencionada.
A terceira versão do nascimento de Afrodite é pouco conhecida. O que sabemos é que Afrodite teria nascido de um caramujo e desembarcado de uma concha na ilha de Citera.
Em Cnido – costa da Ásia maior – o caramujo é considerado uma criatura sagrada da Deusa. Outra ligação de Afrodite com o caramujo está na lenda de que Afrodite, antes do Olimpo, viveu no mar, na companhia de um caramujo de extrema beleza chamado Nérites, filho de Nereu, uma das facetas da triplicidade da divindade do mar conhecida como “O Velho do Mar”. Pouco se sabe dessa terceira versão do nascimento da Deusa, mas é inegável a relação de Afrodite com o caramujo.
Essas três versões da origem de Afrodite nos falam de seu nascimento na água. Afrodite nasce na água, ou da água do mar, o por nós conhecido útero primordial. Nós, seres humanos, também nascemos na água. Talvez nosso passado intra-uterino faça com que tenhamos tanto amor por essa Deusa maravilhosa, e talvez seja também esse nosso passado intra-uterino que nos dê a sensação de retorno às nossas origens quando mergulhamos no mar. Outro ponto interessante sobre a força de Afrodite é que Ela é o amor que tudo gera. Nós também somos, ou temos, esse amor que nasceu nas águas. A água é símbolo do nosso inconsciente, do nosso lado feminino, da fertilidade, da emoção. O oceano primordial de onde crêem alguns termos nos originado me lembra muito o nascimento de Afrodite e sua relação com a humanidade. Quem sabe Afrodite não seja a expressão humana dessa vida, pois tudo que ela toca se torna fértil, pulsante e vivo. Quem sabe Afrodite não seja essa própria força geradora da vida. Afrodite e a humanidade, que relação impressionante. Mesmo entre os que dizem não cultuar a Deusa, nutre por Ela uma estranha ligação. Como Deusa do Amor Maior, da beleza e da vida Afrodite também pode ser cruel, destruidora, como veremos. Nesse ponto reside a estreita conexão de Afrodite com a humanidade. Temos em nós esses dois pólos, essas duas versões de nós mesmos. A bem da verdade, não seria correto dizer “dois pólos de Afrodite”. Poucos conhecem a versão tríplice da Deusa do Amor. Porém, noto que, cada vez que pesquiso sobre aspectos de determinada divindade, sempre encontro essa característica tríplice que, pasmem, também não pára no número três. Mas isso é assunto para outro texto. Hoje o que conhecemos de Afrodite é reduzido ao quesito amor. Porém, Afrodite se mostra muito além do que se é possível escrever sobre a Deusa.
Afrodite não é somente a Deusa do amor e da beleza. A primeira face de Afrodite, em sua triplicidade, é Afrodite Urânia, distribuidora do amor universal, a doce, a bela, aquela que une os pares com amor, que dá cor e beleza ao mundo. É a Deusa do céu, das estrelas, do amor celestial. Sempre que penso nesse aspecto de Afrodite, me lembro da já mencionada Inanna, a Deusa dos Céus, como provedora, amorosa.
A segunda face é Afrodite Pandemos, que está intimamente ligada a questões carnais, sexuais, físicas, materiais. O amor sensual é domínio dessa faceta da Deusa, é Ela quem nos oferece os prazeres do corpo, que desperta o desejo, que nos faz querer a beleza para conquistar.
O terceiro aspecto é o menos conhecido, Afrodite Apostrófia, que significa “aquela que se afasta”. Esse é o aspecto destruidor da Deusa, o aspecto mais difícil e menos explorado. É como se quisessem deixar à mostra somente o lado que convém. Vemos muito disso ao estudar essa Deusa. Afrodite Apostrófia é que deturpa, a que escraviza e a que traz a mazelas, as desgraças. Penso muito nas modelos anoréxicas e bulímicas quando ouço o nome Afrodite Apostrófia.
Como dissemos, em verdade, não se trata de apenas três faces. O culto de Afrodite e suas faces vão variando conforme a época, o local e a ideologia do povo.
Temos, por exemplo, Afrodite Eleêmon, cultuada em Chipre como “A Misericordiosa”, cuja imagem se assemelha muito com a da Virgem Maria, porém, sem o aspecto da castidade.
Afrodite Pasifessa, “A que brilha longe”, conhecida como a Deusa lunar que rege os mistérios do inconsciente.
Afrodite Zeríntia, que muito se assemelha a Hécate. Afrodite Zeríntia é uma face da Deusa que está além do Olimpo, cujos domínios são além da Terra e do céu, assim como Hécate. Para os atenienses, Afrodite Zeríntia era a mais velha das moiras. Outro ponto em comum com Hécate era o sacrifício de cachorros, feitos em honra à Afrodite na costa trácia, posto que esse animal era consagrado à Afrodite Zeríntia.
Afrodite Genetílis, outra faceta da Deusa, também recebia sacrifícios. Ficou conhecida como Vênus Genetrix, pelos latinos, a Deusa dos partos. Temos também conhecimento de um outro aspecto da Deusa, Afrodite Hetaira, que era venerada pelas cortesãs. Diferentes das prostitutas pobres e não cidadãs, as hetairas eram treinadas desde cedo nas artes do sexo. Aquele que comprava uma hetaira pagava uma soma muito alta. Tratava-se de um investimento. Muitos pagavam fortunas pelos favores sexuais das hetairas, e investiam também nos dotes artísticos delas. É fato histórico que algumas hetairas acabaram comprando sua liberdade, tornando-se grandes e conhecidas mulheres.
Em Esparta, Afrodite era adorada como Enóplio, portando armas, e Afrodite Morfo, a acorrentada. Era chamada de “a de corpo bem feito” ou “a de várias formas”.
Afrodite Ambológera era adorada também em Esparta como aquela que adia a velhice, trazendo vigor físico.
Temos também a Afrodite Negra, ou Melena/ Melênis, dominadora dos mistérios da morte e destruição, aspecto relacionado com as Erínias.
Aliás, os aspectos negros de Afrodite são os que menos conhecemos. Podemos citar Afrodite Andrófono, a matadora de homens; Afrodite Anósia, a que peca, e Afrodite Tamborico, a cavadora de túmulos.
Existe também a ligação de Afrodite com Perséfone. Afrodite Persefessa era invocada como Rainha do submundo. Interessante notar que Eurínome, a Deusa primordial dos pelasgos, também tinha relação com o mar, era a Deusa dos prazeres, governou antes do patriarcado olimpiano e foi rebaixada, deixada de lado. Como podemos ver, Afrodite é muito mais complexa do que lemos por aí. Não daria para explanar toda a complexidade da Deusa nesse trabalho.
Afrodite não se resume ao amor físico, nem ao amor universal, nem ao sexo, nem à beleza. Ela rege tudo isso e muito mais. Afrodite é o amor entre seres e intra seres, é o amor que cria, mas é também o amor que ceifa. Afrodite está presente no sexo, no prazer, Ela é o desejo, a vontade entre dois seres. É Ela quem faz com que duas pessoas se desejem e desse desejo mútuo, dessa explosão de energia entre dois corpos, duas mentes e dois espíritos possa ser criado um outro ser, pois Afrodite é doadora da vida também. Afrodite é a própria beleza da Terra, não diz respeito somente a corpos jovens e esbeltos. Para Afrodite a beleza plástica não vale nada. Afrodite quer a beleza da mente, do corpo e do espírito.De nada adiantará explorarmos as novidades cosméticas se não explorarmos nossa beleza real, aquela que é dada por Afrodite a todos, sem exceção. Afrodite abençoou a todos com a beleza, é uma sabedoria que poucos compreendem. Creio que Afrodite perguntaria às pessoas: De que adianta a sua beleza, sua perfeição se você vive destrói o seu planeta? De que adianta a forma física perfeita se é vazio por dentro? Como pode você desejar a beleza constantemente na sua vida e degradar a sua casa?
Afrodite é doadora da beleza, do viço, porém, Afrodite também deseja que cada um de nós leve a beleza para a vida daqueles que nos cercam.
O que acontece com pessoas bonitas, jovens, que exercem sua sexualidade desmedida?
O que acontece com pessoas que em nome do amor aprisionam outro ser?
O que acontecem com pessoas que buscam a beleza vazia?
Solidão.
Solidão no sentido mais amplo. Afrodite vai embora e leva consigo a real beleza, o sexo pleno, o amor verdadeiro.
É nessa hora que podemos conhecer a face da qual poucos falam, Afrodite Apostrófia, aquela que se afasta.

Texto postado no site Tribos de Gaia por Lua Serena

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A Mulher Interior

As vezes as mulheres ficam cansadas e irritadas à espera de que seus parceiros as compreendam. "Por que eles não conseguem saber o que eu penso, o que eu quero?" Elas ficam exaustas de fazer essa pergunta. No entanto, existe uma solução para esse dilema, uma solução prática e eficaz.
Se a mulher quiser que seu parceiro tenha esse tipo de receptividade, ela lhe revelará o segredo da dualidade da mulher. Ela lhe falará sobre a mulher interior, aquela que, somada a ela mesma, formará duas. Isso ela consegue ao ensinar seu parceiro a fazer duas perguntas de uma simplicidade enganosa que farão com que ela se sinta vista, ouvida e conhecida.
A primeira pergunta é a seguinte: "O que você quer?" Quase todo mundo faz alguma versão dessa pergunta, mas de forma automática. Existe, porém, uma pergunta ainda mais essencial. "O que deseja o seu self mais profundo?"
Quando se ignora a natureza dual da mulher e se julga a mulher pelo que ela aparenta ser, pode-se vir a ter uma grande surpresa, pois, quando a natureza primitiva da mulher emerge das profundezas e começa a se afirmar, é freqüente que ela tenha interesses, sentimentos e idéias muito diferentes dos que manifestava antes.
Para tecer um relacionamento seguro, a mulher também fará as mesmas perguntas ao parceiro. Como mulheres, aprendemos a reunir as forças dos dois lados da nossa natureza e da dos outros também. A partir da informação que recebemos reciprocamente dos dois lados, podemos determinar com clareza o que é mais valorizado e como reagir de acordo com isso.
Quando a mulher consulta sua própria natureza dual, ela está cumprindo o processo de olhar, examinar e sondar o material que está para além do consciente, sendo, portanto, muitas vezes surpreendente no seu conteúdo e no seu tratamento, e quase sempre de imenso valor.
Para amar uma mulher, o parceiro deve também amar sua natureza primitiva.
Se a mulher aceitar um companheiro que não possa amar ou que não ame esse seu outro lado, ela sem dúvida acabará arrasada sob algum aspecto e deixada a vaguear cambaleante, em desmazelo.
Portanto, os homens, tanto quanto as mulheres, devem identificar suas naturezas duais. O amante mais querido, o pai mais valorizado, o amigo ou "homem selvagem" mais valioso é aquele que deseja aprender. Quem não se delicia com o aprendizado, quem não é atraído por novas idéias ou experiências não conseguirá passar do marco de estrada junto ao qual está descansando agora. Se existe uma força que alimenta a raiz da dor, ela é a recusa a aprender além do momento presente.
Sabemos que a criatura Homem Selvagem está à procura da sua própria mulher terrena. Com medo ou não, é um ato de profundo amor o de se permitir ser perturbado pela alma primitiva dos outros. Num mundo em que os seres humanos têm tanto medo da "perda", existe um excesso de muralhas protetoras contra o mergulho na numinosidade de outra alma humana.
O companheiro certo para a Mulher Selvagem é aquele que tem uma profunda tenacidade e resistência de alma, aquele que sabe mandar sua própria natureza instintiva ir espiar por baixo da cabana da alma de uma mulher e compreender o que vir e ouvir por lá. O bom partido é o homem que insiste em voltar para tentar entender, é o que não se deixa dissuadir.
Portanto, a tarefa primitiva do homem consiste em descobrir os nomes verdadeiros da mulher, não em usar indevidamente esse conhecimento para ganhar controle sobre ela, mas, sim, para captar e compreender a substância numinosa de que ela é feita, para deixar que ela o inunde, o surpreenda, o espante e até mesmo o assuste. Também para ficar com ela. Para entoar seus nomes para ela. Com isso os olhos dela brilharão. E os dele também.
No entanto, para que não descansemos antes da hora, há ainda um outro aspecto da identificação da dualidade, um aspecto ainda mais apavorante, porém essencial a todos os amantes. Enquanto um lado da natureza dual da mulher pode ser chamado de vida, a irmã "gêmea" da vida é uma força chamada morte. A força chamada morte é uma das bifurcações magnéticas do lado selvagem. Se aprendermos a identificar as dualidades, acabaremos dando de cara com a caveira descarnada da natureza da morte. Dizem que só os heróis conseguem suportar a visão. O homem selvagem sem dúvida consegue. A mulher selvagem, sem a menor sombra de dúvida, consegue. Na realidade, eles são inteiramente transformados pela visão.

Texto retirado do livro: Mulheres que correm com os lobos de Clarissa P. Estes.

sábado, 25 de outubro de 2008

Recolhimento Sagrado Feminino


Observando os ciclos de nosso corpo, entramos em sintonia com o corpo maior e organismo vivo e pulsante que é a Mãe Terra. Nós, mulheres, carregamos em nosso corpo todas as Luas, todos os ciclos, o poder do renascimento e da morte. Aprendemos com nossas ancestrais que temos nosso tempo de contemplação interior quando, como a Lua Nova, nos recolhemos em busca de nossos sonhos e sentimentos mais profundos. As emoções, o corpo, a natureza são alterados conforme a Lua. Nas tradições antigas, o Tempo da Lua era o momento em que a mulher não estava apta a conceber, era um período de descanso, onde se recolhiam de seus afazeres cotidianos para poderem se renovar. "É o tempo sagrado da mulher", o período menstrual, conforme nos conta Jamie Sams, "durante o qual ela é honrada como sendo a Mãe da Energia Criativa". O ciclo feminino é como a teia da vida e seu sangue está para seu corpo assim como a água está para a Terra. A mulher, através dos tempos, é o símbolo da abundância, fertilidade e nutrição. Ela é a tecelã, é a sonhadora. Nas tradições nativas norte-americanas há as "Tendas Negras", ou "Tendas da Lua", momento em que as mulheres da tribo recolhem-se em seu período menstrual. É o momento do recolhimento sagrado de contemplação onde honram os dons recebidos, compartem visões, sonhos, sentimentos, conectam-se com suas ancestrais e sábias da tribo. São elas que sonham por toda a tribo, devido ao poder visionário despertado nesse período. O negro é a cor relacionada à mulher na Roda da Cura. Também são recebidas nas tendas as meninas em seu primeiro ciclo menstrual para que conheçam o significado de ser mulher. Esse recolhimento não é observado somente entre as nativas norte-americanas, mas também entre várias outras culturas. Diversos ritos de passagem marcam a vida de meninas nativas no seu primeiro ciclo menstrual. Entre os Juruna, quando a Lua Nova aponta no céu, é momento de as meninas se recolherem para suas casas. As meninas kanamari, do Amazonas, também ficam reclusas enquanto dura seu primeiro sangramento, sendo alimentadas somente pela mãe. Assim ocorrem com as meninas tukúna que nesse período de reclusão aprendem os afazeres e a essência do que é ser uma mulher adulta. Observa-se, em alguns casos, como parte do rito, cortar o cabelo e pintar o corpo de negro. São ritos de honra à mulher, e não o afastamento das mesmas pela impureza, como foi mal-interpretado por muitas outras culturas, principalmente a nossa ocidental extremamente influenciada pelos valores cristãos.Nossos corpos mudam nesse período, fluem nossas emoções e estamos mais abertas a compartilhar com outras mulheres, como uma conexão fraternal. Ao observarmos nossos ciclos em relação à Lua, veremos que a maioria das mulheres que não adotam métodos artificiais de contracepção e que fluem integradas ao ciclo lunar, têm seu Tempo de Lua durante a Lua Nova. É importante observarmos como fluímos com a energia da Lua e seus ciclos, e em que período do ciclo lunar menstruamos. A menstruação é um chamado do nosso corpo ao recolhimento, assim como a Lua Nova é um período de introspecção, propício ao retiro e à reflexão. A Lua Cheia proporciona expansão e, se nossos corpos estão em sintonia com as energias naturais, é o período em que estaremos férteis. Quantas mulheres atualmente deixaram de observar os ciclos do próprio corpo? Quantas deixaram de conectar-se com as forças da natureza, deixaram de lado a riqueza desse período de introspecção, recolhimento e contemplação de si mesmas? No nosso Tempo de Lua sonhamos mais, estamos mais abertas à sabedoria que carregamos de nossas ancestrais. Aproveite esse período para conhecer e explorar seu interior, agradecendo os dons e habilidades que possui. Compartilhe com outras mulheres esses momentos sagrados de respeito e fraternidade. Ouse sonhar e exercer seu lado visionária. Note que ao estar em conexão com todas as mulheres e com a própria Mãe Terra, muitos sintomas tidos como incômodos vão desaparecendo. Muitos destes sintomas são a rejeição desse período. Com a competição resultante dos valores da sociedade moderna, muitas de nós esqueceram de ouvir a si mesmas, de sentir a necessidade de seus próprios corpos e corações.
Para finalizar, segue um trecho sobre a Tenda da Lua, de Jamie Sams, falando-nos sobre a importância desse ciclo de religação com a Terra e a Lua: "O verdadeiro sentido dessa conexão ficou perdido em nosso mundo moderno. Na minha opinião, muitos dos problemas que as mulheres enfrentam, relacionados aos órgãos sexuais, poderiam ser aliviados se elas voltassem a respeitar a necessidade de retiro e de religação com a sua verdadeira Mãe e Avó, que vêm a ser respectivamente a Terra e a Lua. As mulheres honram o seu Caminho Sagrado quando se dão conta do conhecimento intuitivo inerente a sua natureza receptiva. Ao confiar nos ciclos dos seus corpos e permitir que as sensações venham à tona dentro deles, as mulheres vêm sendo videntes e oráculos de suas tribos há séculos. As mulheres precisam aprender a amar, compreender, e, desta forma, curar umas às outras. Cada uma delas pode penetrar no silêncio do próprio coração para que lhe seja revelada a beleza do recolhimento e da receptividade".

Texto de Tatiana Menkaiká - Publicado na Revista Viva Melhor - Xamanismo

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Parteira da Consciência, uma das outras...

"Devemos lembrar-nos como e quando cada uma de nós passou por uma experiência da Deusa e se sentiu sarada e integral por causa desta.
São momentos santos, sagrados, intemporais, embora por mais inefáveis que se possam revelar, sejam difíceis de reter em palavras.
Mas, quando qualquer outra pessoa menciona uma experiência semelhante, isso pode evocar as sensações que voltam a captar a experiência; se bem que só aconteça se falarmos da nossa vivência pessoal.
É por isso que necessitamos de palavras para os mistérios das mulheres, o que parece exigir que uma de cada vez explicite o que sabe - como tudo o mais que é de foro feminino.
Servimos de parteiras às consciências umas das outras...."
autora:Jean Shinoda Bolen

Recebi essa mensagem da minha irmã de jornada, que também trabalha com o Feminino Sagrado, Carla Lampert, somos responsáveis pela inserção de uma nova cultura de respeito ao Sagrado Feminino, primeiro entre nós mulheres, depois na sociedade como um todo. Vamos seguindo como Sabrina Alves gosta de dizer, conectadas sempre, nesse espirito de harmonia e amizade.
Saudações as Senhoras da Lua!!!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Só um Gostinho do que rolou em Sampa....

Foram 2 dias maravilhosos... mas quero dividir com vocês três momentos lindos desse encontro "Celebrando Tradições" o primeiro é da minha linda Sabrina Alves, tocando tambor numa meditação linda no final da mesa redonda, um momento mágico de verdade...


Essa foto marca meu encontro com a Sabrina, depois de meses de msn, essa flor que tenho o prazer de dizer que me influência muito. E o reencontro com a Patricia Fox, que tive o prazer de conhecer na palestra: "Despertando as Deusas em nossas vidas" em 2007 em Paranapiacaba. Será que eu pego um pouquinho da unção de força dessas lindas guerreiras?...rsrs


E por ultimo, o encontro com minhas amadas irmãs da Ordem Triluna de Taubaté, minhas lindas, a paixão é recíproca, também me apaixonei por vocês, em breve nos encontraremos de novo, na força da Mãe!!!


E claro não podia faltar uma foto do Beltane realizado pela Tradição Diânica Nemorensis no domingo, só as Poderosas:

Eleine, Eu, Cy e Dayne...inesquecivel!!! Rainhas da Primavera!!!

Ahhh...todas as fotos do evento já estão disponiveis no meu album do orkut, o link para meu perfil está nesta pagina bem abaixo... é claro q só os amigos podem ver...rsrs

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Celebrando Tradições

Estou postando essa mensagem pra dizer que neste sábado (18/10) acontecerá um mega evento em São Paulo, com a participação dos maiores nomes do cenário pagão nacional, com palestras o dia inteiro com temas variados, o preço da entrada para o dia inteiro: 1 kg de alimento não perecivel (menos sal e açucar) que serão doados.
Então além de estar adquirindo conhecimento e confraternizando com pagãos de outras cidades, estaremos ajudando pessoas que necessitam....
ahhh... e não se esqueçam da fita violeta... comemorando o dia do Orgulho Pagão!!!

Eu estarei lá... no intervalo das palestras estarei dando uma força pra minha miga Cynthia lá no stand do Old Religion, quem quiser passe lá pra gente bater um papo e pra ver as novidades do Old, que está imperdivel!!! Cada coisa mais linda do que a outra!!!

Para quem ainda não se inscreveu, ou quer mais informações a respeito do evento deixo aqui o link para acessa-lo, o blog fica em recesso até terça-feira, dia 21/10, quando retomo as atividades.
Espero encontrar muitas de vocês por lá, será maravilhoso estreitar os laços!!!
)0(Bençãos Plenas)0(

http://www.nemorensis.com.br/10anosdebruxaria/local.htm

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Love in the Afternoon

É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais.

Quando eu lhe dizia:
"- Me apaixono todo dia
E é sempre a pessoa errada."
Você sorriu e disse:
"- Eu gosto de você também."

Só que você foi embora cedo demais

Eu continuo aqui,
Com meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você em dias assim
Um dia de chuva, um dia de sol
E o que sinto não sei dizer.

Vai com os anjos! vai em paz.
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez.

É tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você
E de tanta gente que se foi
Cedo demais

E cedo demais
Eu aprendi a ter tudo o que sempre quis
Só não aprendi a perder
E eu, que tive um começo feliz
Do resto não sei dizer.

Lembro das tardes que passamos juntos
Não é sempre mais eu sei
Que você está bem agora
Só que este ano
O verão acabou
Cedo demais.

Legião Urbana

Essa música eu dedico à minha irmã Cida, que faleceu aos 36 anos, Cedo demais!!!
Além de minha irmã, era minha amiga, companheira, conselheira, e que há quase 10 anos se foi deixando um vazio imenso... a saudade só é menor porque ela me visita em meus sonhos, onde conversamos e colocamos os papos em dia.
Te amuuu... esteja sempre em luz... até logo mais...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Aos Mestres....com carinho!!!



No dia dos Professores gostaria de homenagear todos os mestres que passaram por minha vida, desde a Tia Rose no meu pré-escolar até a Professora Hellen que lecionava inglês pra mim, até alguns meses atras, todos tem meu apreço e gratidão por tudo que me ensinaram, todos, até os de Química, Matemática e Física (argh)como detestava essas matérias...rsrs...nada pessoal, não rolava!!!
Professora Rosa, Sandra Santos, Hamilton, Ivan, Simone, Regina e tantos outros q foram verdadeiros amigos, mais do que mestres... e ao meu sempre guru: Márcio Duarte, que começou como meu professor no Turismo, se tornou meu amigo, e bem mais tarde meu marido!!! É...as vezes a vida é realmente supreendente!!!


Obrigado por tudo o que me ensinaram, com certeza vocês tornaram a minha vida muito mais rica e inspiradora, minha eterna gratidão à todos.

Tia Rose, Tia Margareth, Tia Denise, Tia Célia, Tia Andréia, Tia Dorothi, Marli Borges, Maria Helena, Rosângela, Rosa, Hamilton, Rildo, Paulo, Câmelo, Sófia, Sandra Santos, Simone, Ivan, Humberto, Marilene, Ricardo, Aldemir, Regina Ferro, Rosa Mink, Rosa Tamizari, Benigno, Luciana, Hellen e mesmo aqueles que não foram citados... pois minha memória já não é mais a mesma...rsrs...um beijo no coração de cada um de vocês! Meus Heróis e Heroínas!!!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Manual da Lealdade Feminina

A Lealdade Feminina é um sintoma da mudança da sociedade rumo a um novo modelo social. Alguma mulheres já estão se conectando. As mulheres tem o Dom da Vida e essa essência feminina que nos irmana é a chave para profundas mudanças no modelo social.

A Lealdade Feminina é transversal. Não podemos esperar que todas as mulheres pensem como nós. Mas a essência feminina que nos une já existe e é preciso religar essa energia para que ela flua de forma permanente, formando uma rede de Luz...

Os 10 Passos para a Construção da Lealdade Feminina são:

1- FEMINILIDADE
Resgatar o feminino essencial e sagrado... Encontrar a harmonia e o equilíbrio interior, reconhecendo o nosso Feminino ancestral, e eliminar a mulher inventada pelo patriarcado.

2- ADMIRAÇÃO
Admirar e elogiar as outras mulheres, valorizar a Mulher... Não somos mais rivais, somos todas IGUAIS em essência feminina... Somos a imagem no espelho, refletida em todas as outras mulheres.

3- TOLERÂNCIA
Mesmo contraditórias, dissonantes ou discordantes, temos de relevar as nossas diferenças e nos unir... Valorizar essa essência feminina como fator de Igualdade, e nos irmanar.

4- SOLIDARIEDADE
Ser solidárias às outras mulheres, na nossa família, na nossa comunidade, bem como a todas as mulheres do mundo, além fronteiras. Deixar de ser a base de sustentação do machismo patriarcal.

5- INDEPENDÊNCIA EMOCIONAL
Caminhar e evoluir em direção à uma maturidade emocional, superando preconceitos patriarcais e crenças absurdas que foram construídas para nos aprisionar e nos manter submissas ao sistema patriarcal.

6- INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA
Não aceitar situações degradantes e humilhantes por dependência financeira. Buscar o seu próprio sustento e tbm a realização profissional, como elemento de base para a auto-valorização e auto-estima.

7- DISCERNIMENTO
Compreender e discernir os mecanismos de manipulação dos relacionamentos. Escolher relacionamentos saudáveis e abrir mão dos recursos excusos das mulheres patriarcais, como chantagens e joguinhos de sedução. Sair dessa programação e ser inteira, yin e yang.

8- DEDICAÇÃO
Dedicar uma parte sagrada do seu tempo em seu próprio desenvolvimento pessoal. Descobrir o Dom de cada uma, e realizar a Missão, que é usar o dom para ajudar a construir um novo modelo social, e ajudar a cuidar da Deusa Gaia...

9- COERÊNCIA
Ter uma atitude coerente no dia-a-dia... Procurar uma sintonia entre o pensamento, o discurso e a ação, e caminhar nessa direção... Buscar a harmonia, e uma conscientização profunda... Ser a mudança que deseja no mundo...

10- NOVAS PRÁTICAS
Apenas uma relação de idéias e textos, iniciativas e modelos de participação social... Buscar com a nossa prática concretizar o desejo de um novo modelo social, conhecendo as diferentes alternativas existentes e ajudando a criar novas maneiras de ser e estar ... e cuidar de Gaia...

Texto de Nana Odara do Blog Lealdade Feminina

Essa é uma convocação as mulheres do terceiro milênio, unidas, caminhando de mãos dadas, apoiando umas as outras construiremos uma sociedade equilibrada, harmoniosa para as futuras gerações.
Diga não a exploração emocional, financeira, e social. Diga basta, a degradação de nosso ambiente natural, nossa saúde está ligada intimamente à saúde do nosso planeta. Isso é a Lealdade Feminina, é cuidarmos umas das outras, e da Terra como nossa Geradora, nossa Mãe!!! Conte comigo Nana, vamos espalhar a semente de uma nova consciência social: a Lealdade Feminina!


Rosas para todas vocês, Senhoras da Lua!!!

Credo de um Guerreiro Samurai - anônimo do séc. XIV

Não tenho pais: fiz do céu e da terra os meus pais.
Não tenho lar: fiz da percepção o meu lar.
Não tenho vida ou morte: fiz do fluir e refluir da respiração a minha morte.
Não tenho poder divino: fiz da honestidade o meu poder divino.
Não tenho recursos: fiz da comprensão os meus recursos.
Não tenho segredos mágicos: fiz do caráter om meu segredo mágico.
Não tenho corpo: fiz da resistencia o meu corpo.
não tenho olhos: fiz do relâmpago os meus olhos.
Não tenho ouvidos: fiz da sensibilidade os meus ouvidos.
Não tenho membros: fiz da diligência os meus membros
Não tenho estratégia: fiz da mente aberta a minha estratégia.
Não tenho perspectivas: fiz de "agarrar a oportunidade por um fio" as minhas perspectivas.
Não tenho milagres: fiz da ação correta os meus milagres.
Não tenho principios: fiz da adaptabilidade a todas as circunstâncias os meus
principios
Não tenho táticas: fiz do pouco e do muito as minhas táticas.
Não tenho talentos: fiz da agilidade mental os meus talentos.
Não tenho amigos: fiz da minha mente o meu amigo.
Não tenho inimigos: fiz do descuido o meu inimigo.
Não tenho armadura: fiz da benevolência e da imparcialidade a minha armadura.
Não tenho castelo: fiz da mente imutável o meu castelo.
Não tenho espada: fiz da ausência de ego a minha espada.


É lindo né?! Meu amigão Nathan achou esse credo e postou pra mim no meus depoimentos do orkut como sendo o Credo da Babi Guerreiro... É incrivel como esse credo fala de mim, eu não poderia falar de mim mesma de maneira tão transparente como esse texto!
E o Nathan viu isso!!! rsrs...brigadu migo lindo, te amuuu!!!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Meu encontro com Gaia

Aqui dividirei com vocês a experiência que mudou minha vida, meu 1º contato com a Grande Gaia, mas antes é necessário lhes dizer que eu nasci e me criei em um bairro de Santos, bem afastado do centro urbano, uma delicia de lugar, com muito verde e um Morro, um lugar tranquilo, onde meu pai e meu irmão mais velho sempre me levavam pra passear, depois mais tarde já na adolescência quando eu precisava ficar sozinha eu me refugiava em uma grande pedra na sumida desse Morro pra pensar... e lá eu sentia a paz e uma tranquilidade imensa!
Com o passar dos anos, me afastei desse contato, com a vida agitada, namoros, estudo, trabalho acabei me distanciando desse relacionamento que eu tinha com a natureza...
Em 2003 estava fazendo o curso de Turismo, e o professor era um eco-chato, não parava de falar do meio ambiente, de consciência ambiental e trilhas interpretativas, e pra nós sentirmos na pele do que ele estava falando, ele programou uma trilha, na época eu estava grávida de 3 meses, e meu ex-marido não estava favoravel ao fato de me enfiar no meio do mato naquelas circunstâncias, mas eu fui mesmo assim, queria muito ir, era o chamado dela....
Ao entrar trilha a dentro sentia-me acolhida, uma sensação de bem estar, de reconhecimento, fazia muitos anos que eu não sentia aquele cheiro de mato fresco com orvalho, era uma sensação tão maravilhosa, sentia-me exultante, uma alegria sem explicação, mesmo gravida não sentia cansaço, queria avançar mais e mais, eu ouvia o professor falando sobre a importância desse contato com o ambiente natural, mas minha alma estava se alimentando na verdade daquela alegria, era como se eu tivesse revisitando uma grande amiga que não via a séculos, estava matando uma saudade que eu não sabia que existia...
Voltei daquela trilha diferente, repensando minha vida, meus hábitos, minhas prioridades, e principalmente minha espiritualidade, foi o 1º passo que dei em direção ao Paganismo (que é uma religião voltada ao respeito e culto à Terra como divindade e fonte de toda a vida), finalmente sem medo tirei minha máscara, colocando um ponto final em um casamento que apesar de bem sucedido aos olhos de terceiros, não me dava real felicidade.
Passei por maus bocados ao assumir minhas convicções, mas as recompensas foram maravilhosas... o professor eco-chato que promoveu meu encontro com Gaia, depois do curso se tornou um grande amigo com o qual aprendi ainda mais sobre minha espiritualidade, e há 3 anos ele se tornou meu marido, com ele divido a responsabilidade de promover esses encontros...hoje também sou monitora de ecotrilha, treinada por ele. Ele apoiou minha busca espiritual, e continua apoiando meus trabalhos com o Grupo de Estudos Pagãos de Santos, e com o Circulo Feminino, compartilhamos nossas ideologias, dividimos nossas experiências e juntos temos projetos para colocar essa nossa soma em prática.
"Cada dia constitui uma nova vida para quem sabe viver" eu não sei quem disse essa frase, mas ela serve como um mantra pra mim, todo dia agradeço por mais um dia de oportunidade para fazer a coisa certa, estar ao lado das pessoas que amo, e sentir a Terra como parte de mim, sentir gratidão pela Terra é o principio do respeito, e o 1º passo para se reconectar à Ela.

A Guerreira Ferida


Após muitas leituras, conversas com outras mulheres e pesquisas decidi me perguntar quem é a “Guerreira Ferida”? É a mulher independente, confiante, bem sucedida, a mulher que conquistou o seu espaço dentro do mercado financeiro, tendo geralmente excelentes cargo e remuneração, muitas vezes sendo chefe de muitos homens. É capaz de resolver qualquer problema e geralmente não pede ajuda, mesmo quando precisa. Conquistou essa posição com muita luta, enfrentando toda a dificuldade que existe para uma mulher ocupar um cargo de confiança em uma sociedade patriarcal, muitas vezes sangrando para isso.
“Durante sua “jornada” essa guerreira, por proteção, veste-se com uma “armadura” e está sempre com sua ”espada” na mão, uma visão simbólica que demonstra estar na defensiva. Acredita que não precisa de companhia, abandonou a fantasia do “Príncipe Encantado”. Algumas vezes essa “Guerreira Ferida” se torna amarga, zangada e se castiga privando-se de vivenciar suas emoções, de demonstrar suas fragilidades, ser espontânea. Só que essa “Guerreira”, na realidade, está muito ferida; a dor é sentida na alma, no coração. Ela está cansada de lutar, a armadura está pesada e ela sente que há necessidade de equilibrar o uso da espada.
Na psicologia feminina, segundo a especialista no assunto, Jean Shinoda Bolen, a “Guerreira Ferida” é um dos arquétipos mais presentes na sociedade atual. Jean Shinoda relaciona este padrão fazendo uma comparação entre a mulher contemporânea e as deusas gregas. Nesta visão a “Guerreira Ferida” é a mulher em desequilíbrio entre os arquétipos das deusas Afrodite e Athena.
A mulher teve que despertar este arquétipo da guerreira para sobreviver na sociedade atual. Ela veste suas armas para realizar seus sonhos. Só que não sabe como equilibrar este padrão com as outras faces do feminino que habitam seu coração e ainda a medida certa entre o equilíbrio das energias masculina e feminina.
Como curar a “Guerreira Ferida”? Segundo Suzana Kennedy, ”a Guerreira Ferida almeja se transformar em Deusa, mesmo que não pudesse usar essas palavras para descrever o seu desejo. Quem é a Deusa? A Deusa é simplesmente a incorporação do Divino em um corpo feminino. Ela tem discernimento e age com integridade. Ela tem uma essência de paz interior que é inabalável. A Deusa irradia uma energia que é tão poderosamente bela, amorosa e suave, que os outros são atraídos para ela como imã.”
A Deusa pode ter sido uma “Guerreira Ferida”, mas curou suas feridas, equilibrou a face guerreira com as outras faces: a mãe, a amante, a menina, a anciã, a protetora, a espiritualista, a sombra, a luz, etc. Ela sentiu todos os seus medos, anseios, raiva, amor, libertando-se, assim. Ela transformou seus sentimentos, a traição e abandono em confiança e tranqüilidade. Ela aprendeu a olhar para dentro e gostar do que vê. Ela combate o ataque espiritual e físico com amor.
A “Guerreira Ferida e a Deusa”: dois arquétipos femininos poderosos. Um cansado e ferido; o outro, radiante e curado.
A mulher que vive o padrão da “Guerreira Ferida”, para ser curada, deve reencontrar-se com sua “Deusa Interior” e isso torna-se mais fácil quando a mulher descobre a sua espiritualidade, sentindo que o divino habita dentro de si mesma. Nesse reencontro essa “Deusa Mulher” renasce e sabe desfrutar toda sua feminilidade com coragem que emana do seu coração. Ela confia plenamente no poder de ser mulher, nos seus instintos, no poder do seu ventre sagrado. Ela se liberta de seus sentimentos suprimidos de traição e abandono. Ela equilibra razão e emoção, masculino e feminino... Ela irradia amor, confiança, beleza. Ela também sente o divino em todos os seres, sentindo necessidade de compartilhar a sua descoberta.
Curada, essa guerreira reconhece e desperta outros aspectos da Deusa que lhe sirvam melhor em qualquer momento.
Reconhecer a ferida e saber que temos a responsabilidade e oportunidade de se curar é o grande segredo para dar o passo definitivo na direção da cura dessa Guerreira que anseia em ser Deusa, isso é possivel, quando aprendemos de novo sobre como acessar nossa sacralidade, reverenciando nossos ciclos como nossas ancestrais faziam, paramos de agir como o sistema nos programou, reprogramamos nossa consciência voltando-se para o centro de nós mesmas, o centro da Terra, o Útero da Grande Mãe. Lá em seu colo nos encontramos com a Deusa Interior, e curamos nossa Guerreira, que aprende a usar sua espada e seu escudo somente quando for realmente necessário. Esse processo ardúo, não acontece de uma hora para outra, mas com dedicação e paciência, conseguimos ótimos resultados, experimente!!!
Fontes de consulta:
Texto “A Guerreira Ferida” de Suzanna Kennedy.
"Mulheres que Correm com os Lobos", de Clarissa Pinkola Estes
"As Deusas e a Mulher", de Jean Shinoda Bolen.