quarta-feira, 3 de março de 2010

Reflexões e Fluxos

Essa semana passei a reler o Legado da Deusa, um dos livros mais importantes sobre os Ritos de Passagem Femininos, um dos mais usados por mulheres em Círculos Femininos, pela sua riqueza de informações históricas, e sugestões ritualísticas, é sempre uma leitura interessante.

Mas no meu caso estou relendo para rever e acrescentar conteúdo a apostila dos Mistérios Femininos, pois em junho teremos uma nova Reconsagração do Ventre.

E então ontem deitada no sofá enquanto fazia anotações e corria os canais; adoro ver TV e ler ao mesmo tempo... Parei para assistir um dos meus filmes favoritos; O Diabo veste Prada. Uma interpretação magnífica de Meryl Streep, no papel de Miranda, uma mulher temida do mundo da moda que movimenta milhões de dólares, ela tem o poder e prestigio.

Em um determinado momento já quase no fim do filme, Andy (Anne Hathaway) sua assistente consegue definir em uma frase minha opinião sobre o personagem de Miranda: “Se ela fosse um homem tomando decisões duras ninguém à acusaria de ser fria”. E a cena mais impagável é no fim o sorriso de Miranda dentro do carro ao ver Andy, e logo depois ela falar com seu tom habitual duro com o motorista enquanto coloca os óculos escuros.

Toda vez que vejo Miranda em Diabo veste Prada, penso nas mulheres que como ela abrem mão de suas vidas pessoais em nome de seus ideais, e nem sempre em nome do dinheiro, ao contrário, o bom pagamento é somente conseqüência de seu desempenho. Muitas que perdem casamentos, passam horas longe de seus filhos, perdem até mesmo o ar doce e frágil, tornando-se verdadeiras guerreiras, batalhadoras.

Algumas feministas dirão que essa é a libertação da mulher, finalmente conquistando espaço e respeito em todas as esferas da sociedade.

Outras dirão que esse embrutecimento da mulher só nos torna masculinizadas, fazendo com que percamos nossa energia com coisas que nem deveriam nos preocupar tanto.

Já foi provado historicamente o papel de destaque da mulher nas culturas matrifocais, onde elas eram o centro da vida, respeitadas por seus ensinamentos e sabedoria, em muitas culturas elas também caçavam, aravam a terra, cuidavam de suas casas e família e ainda se recolhiam em sua Lua Vermelha para entrar em contato consigo mesma e suas Ancestrais. E nem por isso era enxergadas como megeras frias e duronas. Talvez a mulher que obtêm o poder se torne “durona” como uma forma de armadura, que a protegerá dos maus-dizeres, das criticas, dos olhares maliciosos, é claro que para toda regra existe a exceção, e devem existir aquelas que realmente são frias e más, que fazem outros de escada rumo ao topo.

Voltando ao Legado da Deusa, num trecho do livro; Mirella Faur relata que o patriarcado reduziu a menstruação à um período “sujo”, o qual a mulher estava excluída, banida do convívio social e familiar, mulheres cristãs menstruadas não podiam ordenhar vacas (azedavam o leite), assar pães (que não crescia), plantar(sementes não brotavam), preparar alimentos (que fermentavam) ou tocar os homens (para não torná-los impotentes).

Com o advento das sociedades patriarcais, as práticas sagradas com o sangue menstrual foram substituídas por proibições, enclausuramento, restrições e conceitos perniciosos, causando assim nas mulheres perturbações psíquicas e disfunções fisiológicas.

Perdendo a conexão com os ciclos da Lua à medida que o culto a Deusa foi proibido, a mulher começou a sofrer desequilíbrios hormonais, dores, depressão e toda a gama de sintomas conhecidos como TPM.

Mas uma das informações que mais ansiava dividir vem do livro Rubra Força de Monika Von Koss: No século passado, quando uma mulher não se comportava de acordo com o papel a ela designado pelo sistema patriarcal, era chamada de histérica, termo que vem do grego que significa útero. O histerismo referia-se a um distúrbio explicado pela sufocação desse órgão. Nada mais adequado para designar a fonte da rebeldia feminina, quando pensamos na repressão sexual e emocional a que eram submetidas as mulheres de então.

Então o que mais posso eu dizer diante dessas informações há não ser que; não deixemos nossos úteros serem sufocados pelas agruras do dia a dia, seu sufocamento nos adoece, deprimi, e causa males inúmeros ao nosso psicológico, corpo e espírito.

Quando menstruamos é o momento de voltarmos para nós mesmas, ou pelo menos deveríamos, pois essa é a arte de menstruar como diria Monika; a habilidade de fluir com a vida é o momento em que somos chamadas para dentro a fim de harmonizar-mos a nós mesmas.

Ouça seu próprio chamado, escute seu corpo, perceba seus sinais, afine-se consigo mesma, e então perceberá a diferença em si e ao seu redor.

Boudicca- A Rainha Vermelha
Uma mulher, uma sacerdotisa, uma guerreira!

***Babi Guerreiro***

3 comentários:

Iony disse...

Faço um convite a todos amigos e amigas blogueiros:O tema é: "100 anos de Dia Internacional da Mulher: celebrar o quê?".

A proposta é discutir o que aconteceu no dia a dia das mulheres em 100 anos de lutas e conquistas..Saiba mais aqui:
http://rubraalma.blogspot.com/2010/03/blogagem-coletiva-100-anos-de-dia.html

Participe,divulgue, comente!Sua participação é importante!

Com carinho e respeitoIony/Alma Rubra

([salix sam]) disse...

Está ai dois livros na lista dos que eu tenho que ter ( ò_ó)g"

O Diabo Veste Prada é um filme maravilhoso mesmo! Mas como vc falou, tb acho que a aparência "fria" serve pra se proteger =/ quando uma mulher atinge um posto alto numa empresa (assim como o homem tb, mas no caso estamos falando de mulheres), ela é alvo de muita intromissão. Pessoas o tempo todo desejam tomar seu posto, e ela tem que provar ter habilidade pra se manter nele. Fora a fofoca, intriga, inveja e a coisa toda (pra não falar de algumas pessoas que fazem até uso de magia pra atrapalhar a vida da pessoa)-(no "atrapalhar" eu estava sendo gentil)

Agora imagina uma Miranda toda meiguinha, fofa e sugestionável...se ia durar ali, rá.

Quando eu penso na idade média, e nos séculos passados eu sempre penso "poxa que bom que eu nasci nessa época" (pelo que eu me lembro)-(tem gente que lembra de outras vidas). Pq pra aguentar toda aquela opressão...injustiça...eu teria sido mandada pra fogueira rapidinho (isso se me pegassem ;D).
É que eles ameaçavam a família inteira da mulher =/ então ficava complicado tb (socialmente falando...e financeiramente tb)-(isso pra não falar na vida em si das pessoas)
Mas é incrível como as pessoas se deixavam dividir...absurdo!

Enfim...

Sobre mulheres histéricas, eu não sabia da relação com o útero =O
mas na conotação dos dias atuais....eu realmente não suporto uma mulher histérica (nem homem...nem criança)...bem aquele estilo Anamara saka?
(sim...por tabela eu assisto BBB junto com a minha mãe...)

([salix sam]) disse...

ps: BOUDICCAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
*ama ama ama ama ama ama*