quarta-feira, 23 de junho de 2010

Produtos da Linha Guerreira Interior

Finalmente eis que o sonho começou a tomar forma... E o lançamento da Linha foi em grande estilo, contamos com o apadrinhamento da Cy e do Rô (meus queridos amigos e padrinhos mágicos) donos da loja virtual Old Religion, na 6ª Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa.
E desde então as encomendas não param.
Para você que não conseguiu ver os produtos ao vivo na feira pagã, as fotos já estão no ar, e ainda hoje devo disponibilizar novas fotos de novos produtos e dos kits.
Para os que se interessarem em comprar é só me adicionar no msn para que possamos conversar ou mande simplesmente um email: babiguerreiro@hotmail.com será um prazer atendê-la e enviar a apresentação de meus produtos.
Nem preciso dizer o quanto estou feliz né? Afinal estou fazendo o que mais gosto... bruxaria, magia, espalhando alegria, energia positiva e feliz... fazendo tudo aquilo para o qual eu nasci.
Esse é o album de fotos no orkut, está aberto a todos, acessem:
http://www.orkut.com.br/Main#Album?uid=946241668780667812&aid=1276015945

Só pra dar um gostinho vai a foto do Jarro Menstrual de Cerâmica:

 Grande beijo a todos... e espero sua visita e sua encomenda!!! ;)
)0( Babi Guerreiro)0(

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Carga da Deusa que Sangra

Ouça minhas palavras, tu que buscas compreender os Mistérios que fazem a Mulher: Pelo teu útero compartilho contigo minha essência de Criadora.
Sou feita de carne que verte sangue, sou a almofada Aveludada onde pousa suavemente o ovo do Ser.Dentro de mim há um Oceano de Sangue por onde navegam todas as mulheres que estão, estiveram, e ainda todas as que, no futuro, estarão no mundo.
Eu sangro nos inúmeros rios, fontes, lagos e mares deste planeta que é azul só na aparência; na essência, é vermelho.
Vermelho, pois a água da Terra é meu sangue, que dôo com amor e respeito a todos.Quando algum dia te perguntarem quem é a Deusa que veneras, respondas simplesmente;Ela é água, que é só isso mesmo que sou: simplesmente água, que é Vida.
No meu Oceano de Sangue tudo o que respira foi concebido, e nele se irmanam todas as fêmeas que sangram. É meu seu uivo de dor, cada mancha nas vestes, cada gemido de prazer. Cada terror da morte na hora do parto é meu, como também é meu o grito de triunfo da Mãe ao parir.
Sou aquela que vive nos teus sonhos de amor, amamento teus filhos e nutro todas as tuas criações, quer sejam crianças, quer sejam poesias, ideais ou sonhos.
Minha é a Teia da Vida, feita de filamentos de sangue entrelaçados qual renda elaborada; trama e urdidura de presente, passado e futuro.
É minha a sabedoria que agora compartilho contigo: é um grande privilégio ser mulher, mas é um privilégio ainda maior saber ser mulher.
E quando te sentires aprisionada por grilhões que não te pertencem, quando estiveres só ou desanimada, quando fores traída, humilhada, abandonada ou quando apenas te esqueceres de quem és, lembra que sempre tens meu enorme poder, a cada fluxo.
Quando tua Lua de Sangue cintila em flores vermelhas, seja na Lua Clara ou Escura, deixes teu sangue correr pela Terra, uma vez mais, como quando a Mulher era sagrada.
E nessa noite mágica, me chames, e dances comigo, me conheças e fales de mim a outras mulheres que, como tu, estiverem prontas para despertar.
No rio de teu sangue sobre a Terra percebas que tu és a Doadora da Vida, a Mulher de hoje, que é a continuidade das ancestrais que sangraram e deram vida, riram e choraram, celebrando comigo a sabedoria dos ciclos.
Sou tua Mãe, tua Avó e todas as que as antecederam, e tenho todos os rostos, poderes e Visões que elas mandam a ti.
Eu, que sou a Senhora da Lua, sangro gotas de luar sobre o mundo, assim como sangro novos universos em cada parto cósmico, explodindo estrelas.
Sejas forte,
Sejas poderosa,
Sejas abençoada pelo poder de teu sangue.
Sintas a vida que pulsa em tuas entranhas, sintas o bater do meu coração em tuas veias.
Sangres comigo, filha, e compartilhes de meu poder que vivifica os tempos.

Texto de Mavesper Cerridwen

***Dedico a todas irmãs, fêmeas reconsagradas que conhecem seu valor e poder!***

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Reflexões de Alice

A maioria de nós que assistiu Alice No País das Maravilhas desejou por alguns segundos seguir o coelho branco e cair num buraco que nos levasse a uma realidade alternativa, e mais do que isso... que essa experiência nos transformasse em pessoas mais decididas, corajosas, impetuosas.
O que a maioria de nós se esquece é que esse buraco que nos leva para essa realidade transformadora existe dentro de cada um de nós, o equilibrio e a impetuosidade reside em nós. A grande dificuldade está em acessar essas coisas que as vezes estão sobre camadas profundas de nosso inconsciente.
E então numa experiência libertadora, seja ouvindo uma música, lendo um livro, assistindo um filme nos encontramos frente aos nossos dramas, limitações, é como se estivessemos nos olhando no espelho.
E quantas vezes eu quis correr ao me enxergar em algumas situações... rsrs... que depois se mostraram curadoras, sim... curaram meu interior, me ajudaram a despertar meu Self Jovem, aquele com que trabalhamos na magia.
É importante o Self Jovem manter-se ativado e estimulado, trabalhar com arquétipos e simbologias faz parte desse sistema de despertar do Self.
Hoje assistir um filme como Alice ajuda a manter meu Self ativo, mas do que mera diversão... sou muito mental, tudo estimula minha mente, desde que descobri isso tento tirar proveito dessa facilidade!
Descubra sua maneira de ativar o seu Self, seja cantando nu na chuva, dançando... não tenha vergonha, essa é a parte mais autêntica de nós mesmos... e Alice no país das maravilhas nos lembra nossa infância e toda a inocência de viver plenamente.
Esse exercicio das 6 coisas impossiveis para se pensar todos os dias antes do café da manhã proposto pelo pai de Alice é algo que ajuda a mente a devanear... e assim ativa seu Self.
O Mundo Subterrâneo é nosso interior, a Rainha Vermelha e a Rainha Branca são as nossas contra-partes, toda a luz e sombra que reside em nós... cabe a cada um de nós descobrir como conviver com elas... como a própria Alice o faz.
As pessoas complicam suas próprias vidas quando deixam a responsabilidade por sua felicidade e bem estar nas mãos de terceiros, tudo o que precisamos está dentro de nós e em nenhum outro lugar.
Todo o amor, apreciação, respeito, se não despertarmos ele dentro de nós por nós mesmos, nem todo o amor devotado bastará.
Jamais nos sentiremos completos, plenos... essa é a chave da verdadeira e autêntica felicidade!


Uma boa noite de Reflexões para todos nós... abençoados sejam...
Babi Guerreiro

terça-feira, 4 de maio de 2010

Noite Vermelha!!!

Esse ano optei por uma coisa mais intima... um jantar onde pudessemos compartilhar nossas histórias, sobre nossas luas, e foi muito bom, mais um ano a Segunda Vermelha foi festejada e honrada aqui.
De maneira mais fechada pela falta de espaço, mas não menos digna... ou proveitosa.
Aquelas que celebraram um grande abraço, estivemos juntas em Útero e Coração, e aquelas que ficaram sabendo muito tarde para participar, saibam que todos os dias podem ser uma Segunda Vermelha, basta você querer honrar seus ciclos, seu sangue, sua feminilidade, seu poder!
Para maiores informações sobre a história do movimento, e relatos: Blog Segunda Vermelha, um dos textos que mais gostos sobre os Fluxos Femininos:
http://guerreirainterior.blogspot.com/2010/03/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html
E aqui mesmo nas postagens mais antigas temos postagens sobre o Jarro Menstrual, o Altar Menstrual, Simbolos Femininos e por ai vai...
Comece hoje, sua saúde fisica e emocional agradecem!

Bençãos à todas as fêmeas que ainda sangram ou não, mães, viúvas, filhas, irmãs, amantes...
Vocês são o reflexo da Grande Mãe, a Senhora dos Dez Mil Nomes!
Beijus iluminados

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Novidades em minha vida...

Depois de muito relutar tomei uma decisão e começarei meu negócio, começarei a produzir e vender finalmente minha linha de produtos mágicos...
A Linha Guerreira Interior vai contar com vários itens, Jarro Menstrual, Cadernos da Lua Vermelha, Cristais, Colar Menstrual, óleos, sais, e banhos de ervas para várias finalidades, todos consagrados e carregados energéticamente.
E também uma Linha for man, com produtos para os homens se conectarem com a energia do Deus, afinal eles também merecem esse carinho.
Essa decisão veio com a necessidade de dar um rumo a minha vida, entendi que preciso tomar finalmente as rédeas da situação, nem que eu comece devagar... mas não vou mais desistir.
Sem contar que agora cada dia que passa me sinto mais determinada a não recuar, quero viver uma vida plena e feliz, e não voltarei atrás.
Em breve conto melhor os detalhes dessa mudança, pois a história é longa gente... rsrs... mas prometo que não ocultarei nenhum detalhe, nem os sórdidos... rsrsrs!
Por enquanto o que posso dizer é que este momento coincide com Samhain, que é a virada do ano para nós pagãos, ou seja... fim e recomeço de tudo! Um novo ciclo, mais um giro da Roda!
Que os Deuses e principalmente a Grande Mãe nos guie rumo á caminhos floridos, perfumados, belos, pois caminho em beleza, na certeza que minha vida está inteiramente nas mãos Dela.
Sou eu quem teço a teia da minha vida, com a ajuda e a sabedoria da Grande Mãe, á quem dedico inclusive esse novo recomeço em minha própria vida, se não fosse Ela isso jamais estaria acontecendo!
Obrigado também aos meus amados irmãos, filhos e companheiros que me apoiam, me amam e não me deixam desistir nunca, a Deusa brilha através de vocês em minha vida, amo vocês!
Beijos iluminados pelo brilho da aurora de um Novo Ano...
Babi Guerreiro)0(

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Gravidez e Paganismo


Dicas para ter uma gravidez tranqüila dentro do modo de vida pagão:
  • Seu objetivo durante as 40 semanas, ou 9 meses lunares, de gestação, será fortalecer os laços emocionais, mentais e espirituais com o seu filho. Tenha a postura correta. Não veja a gravidez como indesejada etc. Mude já, caso tenha pensado em algo do tipo. Você está gerando um filho dentro de você.
  • Dentro do possível, diminua o ritmo de atividade. A prioridade deve ser seu bem-estar físico, energético, psicológico e espiritual. Praticar yoga, tai-chi, atividades artísticas, passear em ambientes naturais, descobrir métodos de relaxamento, meditação, usar florais e aliviar a tensão são extremamente importantes.
  • Estar em uma relação tranqüila com o pai do bebê é fundamental. Estando juntos ou separados, cultivar a boa convivência é rudimentar.
  • É sempre importante prestar atenção nisso, mas na gravidez, atenha-se ainda mais a sonhos, intuições, imagens mentais e coincidências que aparecerem pelo caminho. Se puder fazer um diário disso, tanto melhor.
  • Pesquise sobre cerimônias e rituais antigos de nascimento, para se inspirar.
  • Realize um ritual de bênção pré-natal indo em algum lugar dentro da natureza (um bosque, à beira de um rio ou cachoeira), preparando um pequeno altar com itens naturais e algo que represente a fertilidade. Apresente-se aos elementais, aos guardiões dos quatro pontos, às divindades que desejar, e agradeça por esse momento, pedindo todas as bênçãos possíveis para o seu bebê que irá nascer. Cante, medite, relaxe. Siga seu coração. Deixe algo do altar como oferenda à natureza, mas atente para que seja algo natural também, que não polua o ambiente. Posso ser trigo, folhas, enfim, o que você achar melhor.
  • Borde em suas roupas da maternidade símbolos de amor e proteção. O mesmo vale para as primeiras roupas do bebê.
  • É costume comum levar um amuleto para o momento do parto. Você pode levar a imagem de alguma divindade protetora do parto (Ísis, Tauret, Bast). Também pode levar pedras de lápis-lazúli ou cerâmica azul reproduzindo o “Olho de Hórus” (contra mau-olhado), ou gatos e hipopótamos para atrair suas bênçãos. Um outro amuleto utilizado na Grécia e na Roma antigas era a imagem de uma folha de arruda gravada sobre madeira, bronze ou prata. Você pode colocar galhinhos de arruda ou manjericão no sutiã, para se proteger da inveja, e ter um pingente com uma figa em seu pescoço. No Mediterrâneo, o mais famoso amuleto tradicional era formado por três miniaturas presas por um cordão vermelho (pedaço de coral vermelho, representação de um gato preto e uma tesourinha que corte de verdade). Um dos mais conhecidos amuletos para se ter um bom parto é o uso de uma chave, que pode ser usada durante toda a gravidez até o momento do parto. Para consagrar seus amuletos, deixe-os tomando banho de lua cheia durante uma noite, antes de usá-los.
  • Com a proximidade da data prevista para o parto, a gestante poderá montar um pequeno altar com imagens de deusas protetoras, uma taça com água, símbolos de proteção e fertilidade, incensos de rosas e lótus, objetos de poder da mãe, amuletos de proteção e o que mais a futura mãe quiser.
  • Se quiser seguir uma antiga tradição, pode enterrar a placenta embaixo de uma árvore frutífera, onde futuramente também serão acrescentados o cordão umbilical, o cabelo e as unhas do primeiro corte.
  • Antigamente, era comum plantar uma árvore para cada filho que nascia. Se você tiver essa possibilidade, não a desperdice.
Ritual de Nut para engravidar: 
Alguns casais possuem problemas para conceber um filho. Esse é um ritual que invoca a Deusa Nut, para auxiliá-los nessa tarefa, pois ela é uma Deusa da Fertilidade.
Nut possui seu ventre coberto de estrelas, sendo assim, uma boa maneira de invocar suas bênçãos é usando o símbolo de uma estrela, que também representará o seu desejo de ter um filho.
Comece, portanto, por encontrar esse amuleto que pode ser uma jóia com a forma de uma estrela ou com a figura gravada. Procure com calma, e deixe que o símbolo da estrela encontre você.
Depois de adquiri-lo, é hora de pedir a ajuda da Deusa. Suspenda a estrela em frente a chama de uma vela azul escura. Invoque a bênção da Deusa Nut dizendo:

Nut, te peço que me abençoes com a graça de um filho.
Ajuda-me a conceber ou, se não há outro remédio,
a encontrar a realização sem um filho.

Se conseguires engravidar, depois do nascimento da criança, enterre a estrela em meio a natureza, em um lugar tranqüilo, como uma oferenda à Deusa Nut.

Ritual de Diana para ter um bom parto: 
O parto é um evento profundamente místico e importante, porém muitas mulheres quando se aproximam dele ficam muito angustiadas e inquietas. Hoje a medicina está muito adiantada e hoje ter um filho já não apresenta tantos perigos como antigamente, entretanto há a possibilidade de se beneficiar da confiança que dá ao se invocar a Deusa Diana (Ártemis), padroeira das mulheres no momento do parto.
Os gatos são sagrados para a Deusa Diana e você necessitará conseguir um pouco de pêlo de gato negro para esse ritual. Não há necessidade de cortar, passe a mão em seu dorso, faça um carinho e ao mesmo tempo conseguirá adquirir um pouco de seu pelo. Entretanto, se for muito pouco, daí sim, corte uma mecha. Se conseguires encontrar uma gata e ela estiver esterilizada, melhor ainda.
De posse da mecha de pelos guarde-os em uma bolsinha de veludo preto ou em uma caixinha de prata específica para guardar pelos (existem até pingentes para esse fim). Você deverá usar esse amuleto durante o parto, por isso escolha algo que goste muito. Dessa maneira, a Deusa Diana estará presente nesse momento mágico de sua vida, para cuidá-la.

Espero que essas informações e rituais extraídos do site Bruxaria.net ajudem as mulheres que procuram por apoio e força durante esse periodo especial, onde estamos mais proximas da divindade.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Eu olho para você... (Whitney Houston)

Ao me deitar
O céu me ouve agora
Estou perdida sem uma causa
Depois de me dar por inteira

As tempestades de Inverno vieram
E escureceram meu sol
Depois de tudo que passei
A quem posso me voltar?

Eu olho para você
Eu olho para você
Depois que toda a minha força se foi
Em você posso ser forte

Eu olho para você
Eu olho para você
E quando as melodias se foram
Em você ouço uma canção, eu olho você

Depois que perco a minha respiração
Não há mais porque lutar
Não há mais pensamentos de se reerguer
Procurando por aquela porta aberta

E cada caminho que tomei
Levou-me ao desgosto
E não sei se irei fazer
Nada a fazer senão levantar a minha cabeça

Eu olho para você
Eu olho para você
Depois que toda a minha força se foi
Em você posso ser forte

Eu olho para você
Eu olho para você
E quando as melodias se foram
Em você ouço uma canção
Eu olho para você

O meu amor foi todo destruído (oh Senhor)
As minhas paredes caíram sobre mim
Caindo sobre mim (a chuva está caindo)

A chuva está caindo
A derrota está chamando (me liberte)
Preciso de você para me libertar
Leve-me para longe da batalha
Preciso de você para brilhar sobre mim

(Coro)
Eu olho para você
Eu olho para você
Depois que toda a minha força se foi
Em você posso ser forte

Eu olho para você
Eu olho para você
E quando as melodias se foram
Em você ouço uma canção
Eu olho para você

Quando palavras não conseguem dizer use a musica... sempre funciona comigo... ;)

Safo... a Poetisa... Homossexual?

Longe de esclarecer seu mistério, o tempo tornou Safo símbolo da homossexualidade feminina. Um símbolo tão difícil de esquadrinhar quanto a verdadeira causa que levou Anacreonte a afirmar maliciosamente que o nome da ilha de Lesbos, onde ela nasceu e viveu a maior parte de sua vida, conotava a paixão mútua das mulheres que ali se congregavam sob a tutela de uma dama da alta linhagem, a fim de adquirir as bases de uma vida feliz e decorosa para si mesmas, para seus maridos e para a sociedade em geral.
Safo pressente sua solidão a distância, e em suas palavras sente-se a imensa ternura por meio da qual, ante as moças, ela esvaziava seu íntimo desespero. Desfrutou o amor dos homens.
Conheceu o fingimento das que reconhecem o galanteio do abismo. Perguntou às estrelas qual era seu destino. Em suas noites insulares provou o sabor acre de uma feminilidade demasiado pesada para as delicadas donzelas, e intimidante para os varões acostumados à rudeza. Presa ao cerco do ensino, cumpriu o sanção do oráculo e, ainda que nunca tenha recorrido a Delfos, soube com clareza o que significava conhecer-se a si mesma.
Safo apercebeu-se de muitas coisas que não se conheciam em seu tempo. Conheceu, por exemplo, a estreiteza daquela paisagem cercada de água por todos os lados, a asfixia que ilumina a dor, a divindade que consagra a linguagem e o vigor inefável da poesia. Talvez nunca se tenha interessado pela glória, porque em seu corpo adivinhava os sinais de sua irremediável transitoriedade. Sorria diante das meninas que experimentavam novos modos de agradar, e nelas reconhecia o que nunca havia sido, o reflexo daquilo que nem tentou ser. Percebeu a ameaça que se acha contida no diferente. Imaginou a redenção do prazer. Esquecida do próprio gozo, amou o orgulho de Girino e até se inclinou para beijar-lhe os pés. Em tempos de amor,
pressentiu o crepitar da fogueira interior, e Átis ensinou-lhe a entreter a infelicidade. Como Circe, ela também explorou o abandono quando algum "Ódio", sob outra denominação, cruzou sua vida, e é de se crer que, sob o vigor de sua voz, a poetisa fosse dominada por um temor inaudito ao desconhecido.
Como era comum em outras partes da Grécia, em Lesbos gozavam de grande prestígio as instituições educativas para mulheres - que em nossos dias têm sua contraparte nos internatos para as adolescentes, ainda que estes não imitem a devoção pelas artes que era praticada na Antigüidade, nem neles exista a liberalidade com que aquela cultura mostrava seus sentimentos. Dificilmente se encontrava uma jovem de boa família que não houvesse recebido as regras e o
refinamento da perfeita mulher casada. Havia inúmeros agrupamentos religiosos denominados thiasoi, nos quais eram treinadas com especial rigor aquelas moças destinadas a se casar com os filhos da nobreza, comerciantes enriquecidos e heróis de guerra. Assimilavam princípios e tradições; desfrutavam de seleta companhia e cultivavam segredos de amizade talvez infiltrados de amores sutis, pois, em sua Ode a Afrodite, Safo pede para ser liberada de um amor feminino, enquanto em sua Ode à mulher amada, declara sua paixão por uma garota cujo olhar a comove profundamente; ao mesmo tempo, o jovem sentado a seu lado parece-lhe um deus em sua indiferença. Se tais exclamações são freqüentes em sua poesia, em passagem alguma de sua obra se encontra uma referência explícita às relações físicas entre elas.
Concentradas na aprendizagem da música e da poesia, tudo estava disposto para incorporá-las com suavidade às exigências da sociedade, que não eram nada simples. Para isso contribuíam as tradições lésbias de valorizar o companheirismo, honrar os deuses com danças e cantos e manter contatos variados com seus vizinhos, os jovens lídios, famosos por sua elegância. Resulta daí que os versos líricos de Safo sejam mais intensos que seus epitalâmios compostos para interpretação coral em ocasiões festivas; e igualmente apresentem maior força que suas canções dedicadas a homens ou a deuses.
Seus cantos festivos para casamentos gozavam de grande prestígio em função de sua radiante espontaneidade. Com poesia despedia algumas de suas discípulas, e com poesia mitigava a iniciação destas na complicada vida a dois que, desde o século VII daquela era, se completava com uma singular devoção entre o homem e o jovem ou entre a mestra e a aluna, relação esta que, apesar de refletir expressões de afeto que possam nos parecer desmedidas não implicava
necessariamente ligações sexuais. Essa forma de aliança preparava para a vida, buscando imitar uma existência ideal e apaixonada. A literatura helênica está repleta de tais exemplos, até que Platão, muitos anos depois, se encarregou de definir os termos da amizade, do amor e da ligação espiritual.
É impossível determinar exatamente o período em que as jovens permaneciam sob a tutela de Safo. As relações íntimas de ódio e amor que refletia em seus versos denotam o trânsito da puberdade à adolescência, porque era comum que o casamento fosse realizado muito antes que os noivos completassem 20 anos. As meninas constituíam sua audiência e estava previsto que deixariam seu círculo diretamente para a celebração de seus esponsais, o que torna pouco provável a suposição de que Safo fosse uma sacerdotisa rodeada de formosas jovens com as quais praticava rituais eróticos em honra de Afrodite e das Musas, como escreveu maliciosamente o poeta Anacreonte, uma geração depois.
Em seus versos de despedida, Safo celebrava os noivos comparando-os a ninfas e heróis; isso confirma que, estando a vida coletiva das jovens dos thiasoi sob a especial proteção de Afrodite, as meninas expressavam um afeto apaixonado entre si e para com a mulher que as tutelava; e Safo, nesse sentido, professava um cálido apego pelas adolescentes que, ao se casarem, deixavam de ser "jacintos nos montes" para se converterem em "flores plantadas no solo", ou seja, que a
partir do momento em que arcavam com as preocupações e dissabores da vida matrimonial, para a qual haviam sido preparadas, as donzelas perdiam seu estado anterior de pureza perfeita.
Foi assim que ela cantou ao encaminhar para as bodas uma das jovens de seu thiasos, e é assim que lemos estes versos que começavam com o louvor do noivo antes de se dirigir à noiva:

Parece-me igual aos deuses o homem
Que vejo sentado frente a ti
Ouvindo absorto tua doce voz
E o riso encantador que, a mim,
Perturbou o coração dentro do peito.
Apenas te contemplo e a voz me falta
A língua parece partir-se
E um fogo sutil recorre pele adentro;
Já nada vêem meus olhos e zumbem meus ouvidos,
Corre o suor pelo meu corpo e trêmula
Sinto-me toda; como a relva do prado
Quedo-me verde e como morta.
Porém a tudo é preciso superar...

Se pouco restou da obra de Safo, muito menos de sua biografia.
Nasceu por volta do ano 590 a.C, perto de Mitilene, capital da ilha de Lesbos, na época ocupada pelos eólios; por Heródoto sabemos que seu pai chamava-se Escamandrônimo e sua mãe Cieis, nome que daria também a sua formosíssima filha, provavelmente loura, a quem dedicou pelo menos uma canção na qual a comparou à luz de uma tocha.
Segundo a própria confissão, não era bela; Plutarco, todavia, apelidou-a a bela Safo, enquanto Platão, que muito admirava sua força poética, foi o primeiro a chamá-la Décima Musa. Ela descreveu a si mesma como uma mulher pequena, morena e não muito graciosa. Oscilava entre
sentimentos doces e amargos, e não ocultou os transtornos que, em determinadas ocasiões, lhe provocava Eros. De fato, sua lenda começou a se difundir graças aos extremos que ora deixavam-na repassada de dor, a ponto de desejar a morte por causa de um abandono, ora
enchiam-na de um gozo exagerado. Apaixonada, sensual e inclinada a certa melancolia, a qual sabia expressar com singeleza, Safo permaneceu, contudo, estóica por disciplina, e tão brilhante quanto extraordinariamente sensível.
Perdeu seu pai quando tinha 6 anos e manteve ligações muito estreitas com seus três irmãos, a quem mencionou várias vezes em seus cantos. Orgulhosa do fato de um deles [Lárico], devido à sua elegância e beleza, ter sido escolhido para servir o vinho nos banquetes cerimoniais, testemunhou em seus versos a importância que representava para um jovem da cidade receber uma distinção como esta. Com relação a Cáraxo, ao contrário, descreveu a vergonha que trouxera à família quando se apaixonou por uma hetera grega chamada Dórica, que conheceu em uma de suas navegações a Naucrátis, na costa egípcia, onde comerciava com o vinho de Lesbos. Por ela, esta amante misteriosa, Cáraxo sacrificou seus bens e incorreu em desvarios tais que ao descrever o acontecimento, Heródoto a confundiu com Rodópis, uma cortesã de origem trácia que foi durante algum tempo escrava do comerciante Jadmon, o homem sâmio de Efestópolis,
e companheira de servidão do fabulista Esopo. Graças a seus encantos, Rodópis acumulou grandes riquezas, e com a décima parte de sua fortuna mandou erigir a si mesma um monumento em Delfos. Mas seria demasiado forçado vinculá-la a Cáraxo.
Safo casou-se com um próspero comerciante da ilha de Andros, ainda que desse matrimônio só tenham restado os versos dedicados a Cleis, "formosa como flores de ouro", por quem sua mãe "daria a Lídia inteira". Morto ou abandonado, seu marido Quérquilas se apagou de sua biografia. Ainda jovem Safo partiu para o exílio na Sicília, talvez por causa de distúrbios políticos ocorridos em Lesbos, e lá lhe ergueram um monumento no século IV a.C, o qual foi roubado muito depois por Verres, um governador romano conhecido por sua cobiça. Safo regressou mais tarde para Mitilene, onde permaneceu pelo resto de sua vida. Os interesses de Safo não se concentravam em questões de família, mas eram tomados pelas tarefas da escola e com o ofício de tutelar as jovens, que considerava um ministério sagrado. De fato, a poesia orientava e refinava suas vidas. Foi com esse espírito que escreveu e conviveu entre as meninas que formou e amou, e com quem sofreu e se alegrou. Assegurou que a atividade das Musas favorecia o triunfo da sensibilidade, da ordem e da graça sobre a torpeza, a desordem, o acaso e a vulgaridade; por isso nunca devia se infiltrar em seu círculo um sentimento de luto; ao contrário, quando perdiam um ser querido, as jovens deveriam cultivar o silêncio, conforme cantara em seus versos a Cleis quando esta chorou pelo desaparecimento de alguém que lhe era próximo.
Safo escreveu no dialeto eólio ou em lésbio vulgar, inventando tanto os harmoniosos versos sáficos como as estrofes eólicas, espécie de harmonia para canto acompanhado por um instrumento chamado pectis. Dos nove livros que escreveu, só perduraram dois poemas
completos: a Ode à mulher amada, que foi compilado por Longino em seu Tratado do sublime e traduzido para o latim por Catulo em seu poema; e a Ode a Afrodite, resgatado por Dionísio de Halicarnasso. Os fragmentos de muitos outros poemas que conhecemos confirmam que se cumpriu sua esperança de ser recordada através dos séculos não pelo clima de escândalo que a envolve, mas por sua reputação entre os poetas de maior importância da lírica grega.
Desconhecem-se as datas de seu nascimento e de sua morte. Um célebre relato, talvez proveniente de uma comédia grega, afirma que Safo se apaixonou por um certo Faon. Quando este a desprezou, a poetisa precipitou-se do rochedo de Lêucade, uma ilha situada na costa oeste
da Grécia.
Essa mulher, diria mais tarde Marguerite Yourcenar, amargurada por todas as lágrimas que, fortalecida por sua coragem, não se permitiu nunca derramar, percebeu que a todas as suas amigas não podia oferecer mais que um acariciante desamparo.

Do livro Mulheres, Mitos e Deusas - de Martha Robles

Beijos sonolentos... rsrsr...
Babi

segunda-feira, 29 de março de 2010

Achar respostas...

Foram 8 dias e 7 noites, longe da minha casa, da minha cama, da minha familia, dos meus amigos, conhecendo e desvendando um lugar chamado Pantanal...
Na verdade, ficamos meio nomâdes, 1 dia em Cuiabá, 2 em Poconé, 2 em Aguas Quentes, 1 em Jaciara, e 2 em Cuiabá antes de voltar pra Sampa... diga-se de passagem que andar de avião foi a experiência mais assustadora da minha vida, definitivamente sou um ser da Terra, do elemento fixo...rsrsrs
Mas houveram momentos que pude ouvir o Sagrado, como na noite em que fizemos uma fogueira na Pousada em Poconé, aquele céu mega estrelado e as Canções Sagradas sendo cantadas... foi inevitável.
E na Chapada dos Guimarães no momento que fomos conhecer um dos Mirantes que dá acesso a uma visão privilegiada, naquele instante você olha aquela imensidão, e percebe o quanto se é pequeno, o quanto se é frágil, mediante tão grande poder!

As respostas que achei que encontraria nas pedras da Chapada, nos rios do Pantanal, eu encontrei dentro de mim mesma, existem coisas inevitáveis que estão para ocorrer em minha vida, e sei que não posso mais lutar contra elas, e não farei, seguirei o fluxo, seguirei meu fluxo com calma e confiança.

Meus amores, minhas paixões me orientaram até aqui, nunca fui uma folha ao vento, sempre escolhi a direção para onde me levar, mas desta vez não é assim, me debatia contra mim mesma, me sinto ainda pressa, me sinto agoada em um canto, sem saber para onde olhar, sem ar, sem luz.
Sinto falta daquela mão forte, daquele abraço protetor, daquele olhar que sem palavras me dizia que tudo ficaria bem, daquele corpo que me aquecia a alma, das palavras de confiança e ânimo, dos beijos aos risos e em lágrimas... sinto falta de nós, sinto falta de como eu era antes.
E sei que nada pode substituir o que tive, mas acredito que a Deusa em mim vive e ama, se expressa de muitas formas, e em breve Ela colocará meu coração em um mar tranquilo e sereno.
Longe dessas tristezas, longe dessas dúvidas, e perto de alguém que possa me amar como sou, sem títulos, nem cargos, somente como uma mulher, uma filha da Deusa.
Alguém que possa de novo enxugar minhas lágrimas e arrancar um sorriso espontâneo de mim, alguém que aceite meus defeitos e veja mais do que a Sacerdotisa que existe.
Estou nesse labirinto de perguntas e tentando achar as respostas, e não é fácil... é estranho!

*** Cada dia constitui uma nova vida para quem sabe viver!***

Assim eu sigo... dizendo: Eu acredito, acredito, acredito!

Beijos com aroma do outono chuvoso...

Babi Guerreiro

segunda-feira, 8 de março de 2010

100 Anos - Celebrar o quê no dia Internacional da Mulher?


Já que postei um texto dizendo que não faria homenagens hoje, não farei, a proposta da blogagem coletiva é justamente um momento de reflexão sobre o que temos pra festejar no dia em que comemoramos 100 anos da criação desta data.
A mulher dentro destes 100 anos adquiriu o direito ao voto, a pilula anticoncepcional nos deu a escolha de ser ou não fértil, ganhamos posição de destaque no mercado de trabalho, inclusive em muitas profissões sendo mais bem remuneradas do que os homens.
Tivemos nossa precaução premiada, os seguros de automóveis são mais baratos para nós, pois somos mais atentas e nos envolvemos menos em acidentes.
Ganhamos a proteção de leis como a licença maternidade e amamentação e a lei Maria da Penha contra a violência, mas que infelizmente muitas vezes ficam só no papel.
Se bem que acredito que temos que fazer com que elas sejam cumpridas, continuar lutando para que elas sejam mais reais e menos utópicas!
Ainda existe muita injustiça contra as mulheres, muito preconceito à ser vencido, mas continuaremos firmes, buscando nossos ideais, filosóficos, profissionais, divinos ... seguiremos rumo ao futuro que espero que seja melhor pra todas nós!

Minha homenagem as mulheres que compartilham ou já compartilharam de suas vidas comigo, Somos Vitoriosas!!!

Beijos à todas...
Babi Guerreiro